16 de jan de 2015

CIDADES DE PAPEL – John Green.



John Green consegue nos surpreender a cada obra lançada.
Após ter apreciado a leitura de “A Culpa é Das Estrelas”, pensei que não seria possível ele escrever uma obra que nos levasse a uma reflexão pessoal tão séria. E ai surge “Cidades de Papel”.
A história nos encanta de uma forma absolutamente mágica. Pois se trata de uma aventura que muitos já fizeram, ou tiveram vontade de fazer. Mas acima de tudo, nos faz refletir sobre nós mesmos, sobre o que somos como as pessoas nos enxergam, e sobre como nos sentimos.
Quentin Jacobsen é um garoto simples que mora com seus pais em Orlando.
Um garoto centrado, estudioso e visa seu futuro. Quentin era visto como o nerd ou certinho do colégio.
Mas sua vizinha Margo Roth Spiegelman é o grande amor de sua vida. Q nunca teve nada de mágico em seus dias, mas ter Margo em sua vida era realmente o seu milagre.


Quando crianças sempre brincavam juntos, e passaram por uma provação quando encontraram um homem morto.
Q desejou ir embora ao mesmo instante, ele tinha apenas nove anos de idade. Não estava preparado para lidar com um cadáver, mas Margo que era fascinada por aventuras, desde pequena, foi relutante em abandonar a cena do crime.
Os dias se passaram, as crianças cresceram. E agora com seus 18 anos, e no último ano do colégio, não se falam.
Mas o amor que o garoto nutre por aquela menina linda, instigante e corajosa, é algo que nunca mudará.


Margo descobre que está sendo traída pelo seu namorado, e deseja bolar uma vingança. Mas para isso seria necessário se vingar do resto de sua turma, por não ter lhe contado o que estava acontecendo.
Ela precisava de alguém para ajudá-la, e sabia que a única pessoa que poderia fazer isso por ela, seria Quentin.
Novamente estão juntos, em mais uma aventura. A amizade que estava a tanto adormecida, será despertada com uma intensidade esmagadora, que levará Margo a agir impulsivamente.
Após uma noite divertida juntos, realizando os trotes inventados pela garota, se separam novamente.
Q pensou que seriam diferentes na escola, eles tiveram uma ligação, foi algo mágico o que aconteceu naquela noite.
Mas Margo nem se quer apareceu para as aulas.
E quando ele chegou a casa, descobriu que ela havia desaparecido.
Q ficou desolado. A garota que ele amava havia fugido, o deixado para trás.


Foi quando descobriu uma série de pistas, que poderia levá-lo até o seu paradeiro.
Quentin juntou com seus amigos, Ben e Radar, e passaram a investigar o porquê do sumiço de Margo.
A cada dia que se passava, Q passou a enxergar a garota de uma forma diferente. Passou a entender o que ela sentia, conhecer a fundo aquela garota de papel, que vivia em uma cidade de papel, mas que deseja ardentemente ser amada pelo o que realmente era.
Juntos se aventuraram pelas estradas, seguindo os mapas e todas as pistas decifradas.
O maior medo dele era encontrá-la morta. Quentin sabia que os fios dentro de Margo estavam arrebentando-se. Ele precisava encontrá-la e salvá-la.
Em uma viagem inesquecível, esse grupo de amigos viverá a mais pura diversão. Conhecerão a fundo o ser humano que cada um representa, e farão de tudo para encontrar Margo ainda viva.


Quentin conseguirá encontrá-la?
Qual foi o verdadeiro motivo que fez Margo fugir?
Abandonando a formatura, sua vida, seu lar. O que se passa dentro do coração dessa garota?
Uma história maravilhosa, que nos fala sobre amor, carinho, atenção e respeito.
Casa de Livro Recomenda.


Você vai voltar para as Cidades de Papel e nunca mais sairá.


Titulo: Cidades de Papel.
Titulo Original: Paper Towns
Autor: John Green
Ano: 2008
Páginas: 368
Editoras: Intrínseca.

Boa Leitura.
Casa de Livro.

Karina Belo.



Q olhe para todas aquelas ruas sem saída, aquelas ruas que dão a volta em si mesma, todas aquelas casas construídas para virem a baixo. Todas aquelas pessoas de papel vivendo suas vidas em casas de papel, queimando o futuro para se mantiver aquecidas. Todas as crianças de papel bebendo a cerveja que algum vagabundo comprou para elas na loja de papel da esquina. Todas as coisas finas e frágeis como papel. E todas as pessoas também. Vivi aqui durante dezoito anos e nunca encontrei ninguém que se importasse realmente com qualquer coisa.


Eu precisava estreitar as possibilidades, e desconfiava de que havia detalhes ali que eu estava visualizando da forma errada, ou que simplesmente não estava enxergando. Eu queria arrancar o telhado e iluminar o lugar todo, para assim ver tudo por inteiro, em vez de apenas um facho de luz por vez. Joguei o cobertor de Margo e gritei, alto o suficiente para todos os ratos me escutarem:
- EU VOU ENCONTRAR ALGUMA COISA AQUI!

 


E imediatamente eu soube como Margo Roth Spiegelman se sentia quando não estava sendo Margo Roth Spiegelman: vazia. Ela sentia que uma parede intransponível se fechava em torno de si. E pensei nela dormindo naquele carpete com apenas uma faixa de céu logo acima. Talvez Margo se sentisse à vontade ali porque a pessoa Margo vivesse daquele jeito o tempo todo: em um cômodo abandonado com janelas lacradas e cuja única fonte de luz era um buraco no teto. Sim. O erro fundamental que sempre cometi – era este: Margo não era um milagre. Não era uma aventura. Nem uma coisa sofisticada e preciosa. Ela era uma garota.

 

Sinto as mãos dela em minhas costas. E está escuro quando a beijo, mas fico de olhos abertos, e Margo faz o mesmo. Ela está perto o bastante para que eu possa enxergá-la, porque mesmo agora existem sinais visíveis da luz invisível, mesmo à noite naquele estacionamento na periferia de Agloe. Depois de nos beijarmos, nossas testas se tocam e fitamos um ao outro. Sim, consigo enxergá-la quase perfeitamente através desta escuridão rachada.


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