28 de nov. de 2020

 “Das três metamorfoses” Nietzsche 





Em sua obra Assim falou Zaratustra, Nietzsche utilizou a imagem da metamorfose para se referir às três fases que o homem deve passar para alcançar uma vida digna, o estado de super- homem. Diante da irracionalidade do mundo e da imposição dos valores cristãos que tolhem a vontade e aprisionam a natureza e os instintos humanos, o homem deveria passar por um processo de libertação, tornando-se dono de si mesmo e vivendo a partir de uma nova ordem de valores realmente humanos. 


AS TRÊS METAMORFOSES DO HOMEM 

A respeito dessa metamorfose, Nietzsche afirmou: “Três transmutações vos cito do espírito: como o espírito se torna um camelo, e em leão o camelo, e em criança, por fim, o leão.”. 
A figura do camelo representaria, assim, o homem que traz em suas costas todo o peso da moral ocidental. O camelo, apesar de parecer um animal passivo, possui a força necessária para, devagar, mas determinadamente, partir rumo ao deserto para lá se tornar leão. Se, em um primeiro momento, o camelo é aquele que suporta o peso da moral tradicional cristã, em um segundo momento, ele, de alguma forma, enfrenta um processo de transição para romper com essa moral. 

Chegando ao deserto, o camelo se transforma em leão, animal forte e vigoroso que, por sua força e capacidade de luta, rompe com os valores que lhe eram impostos e considerados até então como única e correta forma de vida. O leão luta para se tornar senhor de si mesmo, sem entraves e correntes morais que o impeçam de viver sua natureza íntima e instintiva. Dessa forma, o homem que se torna leão reconhece os valores que oprimiam a sua vida e luta para romper com esses valores previamente instituídos, buscando o seu direito de criar novos valores. 



A última metamorfose representa o estado da criança. Somente nessa transformação, do leão em criança, o homem é capaz de adquirir um olhar diferente e inocente sobre o mundo. A criança traz em si a capacidade de viver pela natureza, de deixar vir à tona seu espírito dionisíaco, de se deixar encantar pela vida e vivenciá-la de forma leve e natural. Nessa terceira fase, o homem, por ter um olhar diferenciado sobre a sua existência, pode pensar a vida sem considerar princípios finalistas e / ou utilitários. Nesse estado, o homem rompe com a inércia e parte para a construção de si mesmo, tendo como base uma nova ordem de valores que priorizam a vida e a natureza humana.

fonte: NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra