31 de ago de 2012

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS

Hoje iremos comentar sobre um dos livros mais incrível já escrito. Posso ser suspeita para falar sobre, já que é a obra que mais me encantou até hoje, sem dúvidas o meu livro preferido. História contada com uma leveza palpável. Personagens tão cativantes, que acabam se tornando reais. Narrada pela morte, e quando a morte conta uma história. Devemos parar e ler. Apresento agora a vocês, Liesel Meminger.
Entre 1939 e 1943, Liesel encontrou a morte três vezes. E saiu suficientemente viva das três ocasiões para que a própria morte, de tão impressionada, decidisse nos contar a história da menina que roubava livros.
Era nazista, onde o Füjer comandava tudo e todos, Liesel se vê obrigada a fugir com sua mãe, uma possível comunista, e seu irmão para um lar adotivo. O irmão mais novo de Liesel já estava doente, com uma terrível tosse, e sem medicamentos adequados a viagem foi uma tortura. A morte foi com o intuito de levar Liesel junto de si, mas não conseguiu. A garota tinha algo em seus olhos que deixou a morte sem reação, no entanto ,  o garoto morre na metade do caminho, ele foi levado no lugar da irmã. Já no cemitério, no enterro de seu irmão mais novo, ela roubava seu primeiro livro.
Encaminhada sozinha para o lar adotivo, Liesel vai morar com um casal de alemães. Lá conhece Hans Hubermann, seu pai adotivo de olhos cristalinos e personalidade calma e bondosa, que irá se tornar o melhor amigo de Liesel. E também conhece sua mãe adotiva. Rosa Hubermann, de postura atarracada e irritadiça irá tratar Liesel de uma maneira cruel.
Rosa, para que pudesse ajudar em casa, pegava roupas do pessoal do bairro para lavar e passar em troca de um dinheiro. Liesel demorou em se acostumar com sua mãe adotiva. Sempre xingando a garota e sua clientela do bairro, mas com Hans foi tudo muito diferente. Seu pai adotivo tornou-se um amigo logo de cara.
A princípio a garota sofria durante as noites, demorando-se muito para pegar no sono, e quando finalmente conseguia era despertada com seu pai adotivo a chamando. Pois  estava gritando, berrando e chorando por conta de pesadelos.
Hans no começo conversava com a menina, perguntava o que a deixou assim. A morte de seu irmão era o maior motivo de seus pesadelos, mas ela também estava assustada com toda a situação. Ela sentia falta de sua mãe biológica, ela sentia medo por estar em um lugar desconhecido, ela temia pela vida de quem amava. Passando então o restante da madrugada consolando a garota de seus pesadelos, Hans acabou encontrando o exemplar de O Manual do Coveiro, livro que Liesel roubou no enterro de seu irmão. A Garota muito envergonhada tentou explicar ao pai o que a fez pegar tal objeto. Mas ele não ficou bravo, pelo contrário, decidiu então ensiná-la a ler. Mas o modelo de ensino na era Hitler era um fracasso. Tudo era muito criterioso, as crianças só poderiam saber e ler, o que o Füjer mandasse. 

Mas seu pai foi lendo aos poucos o livro para ela, e ensinando a garota a ler. Segredo. Um grande segredo entre pai e filha que nem a morte conseguiu revelar.
Liesel era apaixonada por Rudy Steiner, que sempre jogava futebol com ele e os garotos do bairro, a única pessoa pra quem ela contava as coisas. Viviam juntos, sempre colados, explorando os locais mais inusitados. Rudy sempre dava um jeitinho de dar em cima de Liesel, pedindo um beijo e tudo mais, porém a garota sempre dava um jeito de sair dessa.
Sempre que possível Liesel chamava seu amigo para ir com ela entregar as roupas que sua mãe Rosa havia terminado de passar. Em todas as casas do bairro, dos mais pobres até os mais ricos. Passando até pela casa do prefeito.
A casa do prefeito, local onde Liesel e Rudy ficavam fascinados e ao mesmo tempo atormentados. A esposa do prefeito sempre atendia a garota com uma expressão de dor, sempre calada.
A cidade era comandada por Hitler, e toda semana os seus soldados faziam uma fogueira para queimar tudo o que poderia de certa forma acrescentar educação para as pessoas. Podemos dizer então que era uma fogueira repleta de livros. E foi nesse momento, nessa fogueira, que a morte veio buscar Liesel pela segunda vez. Mas quando viu a menina roubando da pilha de entulhos um livro totalmente chamuscado, perdeu totalmente a coragem de levá-la.
Estúpida, totalmente tola e estúpida. É assim que a morte se sente, por não conseguir levar Liesel. Esse é seu trabalho, ela recolhe almas. Porque não consegue levar Liesel Meminger?
Porque a garota que roubava livros exerce tal poder sobre a morte?
Agora Liesel quer ir mais longe, ela sabe que na casa do prefeito tem uma biblioteca e irá entrar para ver as obras.
Combina com Rudy, e quando vai novamente entregar as roupas para a mulher do prefeito, se esconde para entrar na casa e invadir a biblioteca. Ela fica encantada com os volumes, o cheiro, o toque dos livros. Um lugar mágico para uma garota que só leu dois livros em toda a sua vida. Uma garota onde as histórias se fazem presentes em sua existencia.

Mas as coisas estão cada vez mais complicadas agora, a guerra piora a situação econômica da Alemanha, e cada vez que Liesel e Rudy saem para buscar roupas, acabam escutando em cada casa pedidos de cancelamento. Ninguém mais tem dinheiro para pagar pelos serviços de Rosa, mas quando ela escuta da boca da esposa do prefeito um NÃO, sua vida simplesmente desmorona. E os livros? O que irá fazer para novamente conseguir ler todos aqueles volumes?
Mas para sua surpresa a mulher parada a sua frente, a mesma que acabou de cancelar os serviços de sua mãe, a convida para conhecer a biblioteca. Ela sabe que Liesel esta entrando as escondidas no local, e diz à menina que pode vir a qualquer momento buscar os livros para ler. Que ninguém aproveita da biblioteca, e que ela será mais do que bem vinda, para desfrutar de tal arte.
A situação em sua casa foi ficando cada vez mais difícil. Seu pai já não tinha mais tantos serviços como pintor, e sua mãe não tinha mais roupas para lavar e passar. Na casa de seu amigo Rudy era ainda pior, pois sendo judeus de natureza, a situação era deplorável.
Mas agora tudo piora na casa do Hubermann, pois um judeu aparece em sua porta. Quase morto o rapaz diz que seu nome é Max, e que é filho de um grande amigo de Hans, amigo já falecido. O pai de Liesel lembra dele, e lembra-se  também que deve um grande favor ao mesmo, e acaba assim abrigando em sua casa um judeu. Max pode vir a ser o motivo da ruína da família, se os nazistas descobrem que estão abrigando um judeu, será a morte. Max ficará no porão com as tintas, ninguém saberá que o rapaz esta escondido ali, e ninguém pode contar nada. Para Liesel, agora seu mundo era transformado em dois, da porta para dentro onde todos ficavam apreensivos com um judeu escondido no porão, e da porta pra fora onde tinha seu melhor amigo Rudy e os garotos do futebol.
Aos poucos a garota foi se aproximando de Max, ela e o judeu começaram a dividir sonhos, pesadelos e segredos. Agora Hans não tinha que ajudar uma garota com gemidos em um pesadelo cruel, mas sim duas pessoas presas em pesadelos mortais, gritando como se tudo estivesse acabado.
Na rua Liesel roubava com Rudy, comidas e livros.
Em casa ela escrevia nas paredes do porão sua história, a história de Max, e uma história sangrenta de guerra. A Morte.... Ela analisava, observava, e não conseguia cumprir seu objetivo.
Agora após anos passados, Max finalmente pôde seguir sua vida, deixando ensinamentos, e uma menina que foi capaz de escrever uma belíssima história, a sua história.
A morte esta lá novamente, será que agora irá conseguir levá-la?
Em seu encontro com Liesel, o ultimo encontro, a morte não consegue pensar e nem fazer o que deveria, ela só consegue pensar em como os humanos a assombra.
Obra mais que perfeita, onde Markus Zusak escreveu com uma simplicidade emocionante. A Menina que Roubava livros nos ensina coisas maravilhosas do começo ao fim. Uma história impossível de ser resenhada, ou resumida. Definitivamente LEIAM, leitura obrigatória. No final você ficará extasiado.


Titulo: A menina que roubava Livros.
Titulo Original: The Book Thief
Autor: Markus Zusak
Ano: 2007
Páginas: 494
Editora: Intrinseca.

Boa Leitura

Casa de Livro Blog

Karina Belo


O ser humano não tem um coração como o meu. O coração humano é uma linha, ao passo que o meu é um círculo, e tenho a capacidade interminável de estar no lugar certo na hora certa. A consequência disso é que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior. Vejo sua feiura e sua beleza, e me pergunto como uma mesma coisa pode ser as duas. Mas eles têm uma coisa que eu invejo. Os humanos tem o bom senso de morrer.



Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.


Anos antes, quando os dois haviam apostado corrida num campo lamacento, Rudy era um conjunto de ossos montado às pressas, com um riso irregular e hesitante. Sob o arvoredo, nessa tarde, era um doador de pão e ursinhos de pelúcia. Um tríplice campeão da Juventude Hitlerista. Era seu melhor amigo. E estava a um mês de sua morte...
Estava se despedindo dele, e nem sabia...

Não quero ter esperança de mais nada. Na o quero rezar para que Max esteja vivo e em segurança. Nem Alex Steiner, porque o mundo não os merece.

Olhou para o rosto sem vida, e então beijou a boca do seu melhor amigo, Rudy Steiner, com suavidade e verdade. Ele tinha um gosto poeirento e adocicado. Um gosto de arrependimento á sombra do arvoredo e na penumbra de coleção de ternos do anarquista. Liesel o beijou demoradamente, suavemente, e, quando se afastou, tocou-lhe a boca com os dedos.


Em completa desolação, olhei para o mundo lá em cima. Vi o céu transformar-se de prata em cinza e em cor de chuva. Até as nuvens tentavam fugir. Vez por outra, eu imaginava como seria tudo acima daquelas nuvens, sabendo, sem sombra de dúvida, que o sol era louro e a atmosfera interminável era um gigantesco olho azul.

O branco é sem dúvida uma cor e, pessoalmente, acho que você não vai querer discutir comigo.


As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa. Uma hora só pode consistir em milhares de cores diferentes. Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas. No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los.

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