1 de fev de 2015

A AUTOESTRADA – Richard Bachman (Stephen King)


A Autoestrada é um suspense psicológico eletrizante que alia a marca consagrada de Stephen King ao ponto de vista de seu alter ego Richard Bachman.
Escrevendo com tal pseudônimo, King conseguiu ousar em sua escrita de uma forma peculiar. Levando o leitor a uma aventura impressionante.
Bart Dawes é um homem simples, gerente em uma lavandeira, casado e com uma vida inteira pela frente.
Mas nada era perfeito em sua vida.
Casou-se com Mary as pressas, quando ainda eram adolescentes, por tê-la engravidado.
Conquistaram sua casa própria, seu emprego, e um aborto foi à fatalidade do momento.
Bart ficou imensamente perturbado, mas seguiu sua vida. Sabia que poderiam reconstruir aquela família que foi desfalcada antes mesmo de se iniciar completamente.
Alguns anos depois nasceu George. Um garoto meigo, que era tudo para Bart. Eles tinham uma ligação incrível, o amor era incondicional.
Mas descobriram que o garoto tinha um câncer, que o levou a óbito em pouco tempo.
Mary ficou despedaçada. Chorou, gritou, sofreu.
Bart sofreu de forma avassaladora, mas apenas internamente. Ele não conseguiria superar a ausência de seu filho. Nunca conseguiria superar sua perda. Bart nunca iria superar aquela dor.
A vida seguiu novamente, o casamento permaneceu vivo. Mas nada era como antes. As coisas esfriaram e tudo mudou. A morte do seu filho deixou marcas profundas, tanto em seu casamento, quanto em sua atitude.


É, portanto, a pior hora possível para mais uma reviravolta.
Bart é informado de que uma extensão será construída. Uma autoestrada que passará por lugares sagrados para aquele homem.
Sua Casa.
A Lavanderia.
Dois lugares onde passou a vida inteira vão ser desapropriados e demolidos.
Bart Dawes não consegue aceitar que os dois lugares mais especiais, em questões de sentimentos, serão retirados de sua vida.
Ele tem um prazo para encontrar um novo local para morar. E um novo bairro para que a lavanderia possa abrir suas portas.
Bart tenta de todas as formas impedirem que aquela construção continuasse.
Mas ninguém nunca irá ouvi-lo.
Traça então um plano, que irá testar toda a sua sanidade mental, e o levará a ruína.


Mas fará de tudo para defender o chão em que seu filho pisou. A casa que ele viveu os dias de sua vida.
Bart se transforma em uma ameaça ambulante à sociedade.
Mary não reconhece mais seu marido. Ela tem medo dele.
Para ele tudo é uma questão de principio.
Suas memórias estão ali.
Sua vida.
Suas alegrias.
Seus momentos.
Nada nem ninguém irão derrubar aqueles lugares.
Quem estiver em seu caminho terá de pagar o preço.
Bart conseguirá salvar a sua casa?
A autoestrada irá acabar com todas as suas memórias?
Uma obra impressionante que todos devem ler.
Casa de Livro Recomenda.


A bola está com você novamente, Dawes. Neste jogo, ela estará sempre com você.


Titulo: A Autoestrada
Titulo Original: Roadwork
Autor: Richard Bachman – Stephen King
Ano: 1981
Páginas: 374
Editora: Objetiva

Boa Leitura.
Casa de Livro.

Karina Belo.


À direita, havia mostruário de vidro que corria por toda extensão da loja. Estava cheio de rifles pendurados. Conseguiu reconhecer as espingardas de dois canos, mas todo o resto era um mistério para ele. Ainda assim, algumas pessoas – como os dois no balcão do outro lado, por exemplo – dominavam aquele mundo com a mesma facilidade com que ele dominara contabilidade geral na faculdade.

 

Naquele exato momento, ele girou o martelo e a tela da tevê explodiu. Vidro foi expelido sobre o carpete. Só para garantir que a televisão não o fritasse durante a noite por vingança, ele arrancou o plugue da tomada da parede com um chute.
- Feliz Ano Novo – disse ele baixinho, largando o martelo no carpete.
Ele se deitou no sofá e adormeceu quase de imediato. Dormiu com as luzes acesas e não teve sonhos.

 

Fez-se um silêncio constrangido e, nele, sons de sirenes, ainda distantes, começaram a se erguer. Ele largou a Magnum e apanhou o rifle. O delírio jubiloso o havia abandonado, deixando-o cansado, dolorido e com vontade de cagar.
Por favor, faça o pessoal das estações de tevê chegar rápido, rezou ele. Faça-os chegar rápido com suas câmeras.
 

Ele fechou os olhos e seu último pensamento foi que o mundo não estava explodindo ao seu redor, mas sim dentro dele, e embora a explosão tivesse sido cataclísmica, não foi maior do que, digamos, uma noz de tamanho considerável.


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