16 de mar de 2015

O DOADOR DE MEMÓRIAS – Lois Lowry



Lois Lowry conseguiu criar uma história magnífica. Uma ficção com uma moral totalmente real.
A maneira como criou os personagens, elementos e fatos foram incrivelmente sensacionais.
“O Doador de Memórias” nos mostra uma planeta que foi devastado. Seus anciões, pessoas que sobreviveram, reconstruíram o seu lar.
Mas com a tecnologia que possuíam, decidiram que seria um planeta perfeito. Com sua mesmice, claro, mas totalmente perfeito. Um sistema que não continha falhas, aparentemente, até o momento em que o jovem Jonas foi escolhido como recebedor.


Naquele local as crianças atingiam a idade adulta com seus doze anos. Onde eram designadas funções, para cada indivíduo.
Dentro daquela comunidade tudo funcionava perfeitamente. Todos trabalhavam, as crianças estudavam.
Na cerimônia, que acontecia todo mês de dezembro, quando Jonas iria passar de um onze para um doze, e receber sua atribuição. Tudo começou a mudar.
Seus melhores amigos receberam trabalhos comuns, que eram importantes sim para aquela comunidade. Eles são estudados desde que nascem, é impossível não gostarem de suas funções. Mas Jonas não tinha ideia do que queria ser, foi quando para sua surpresa, foi escolhido como o Recebedor.


Umas das honrarias mais fantásticas daquele lugar. Ele foi ovacionado pelas pessoas.
Seu treinamento foi iniciado. O Doador de Memórias explicou tudo o que Jonas deveria saber para começar a receber as memórias.
Jonas agora estava totalmente fora do sistema, para que pudesse receber todos os sentimentos, ele poderia mentir, perguntar, e também burlar algumas regras que eram inquebráveis.
Um garoto de doze anos, que não conhecia as cores, sabores, sentimentos. Passou a entender que o mundo não era aquilo que ele conhecia. Existiam mais, eles poderiam fazer mais.

Jonas descobriu segredos sobre aquele sistema, que eram cruéis. E só ele, com a ajuda do doador poderiam mudar a vida daquelas pessoas.
Eles eram reféns daquela mesmice.
Eles não podiam pensar, nem sonhar.
Jonas e o Doador bolaram um plano. O garoto precisa encontrar a divida das memórias em Alhures.
Só assim todas as lembranças farão parte da vida dos cidadãos que ali habitam.


Será a única forma de dar vida, cor e sentimentos para todos que ele conhece.
Precisa levar a verdade, precisa mostrar o quão errado e cruel as coisas são.
Ele precisa deixar o povo viver.
Jonas conseguirá salvar toda uma comunidade?
Ele conseguirá entender o significado do amor?
Umas histórias incrivelmente bela, que todos devem ler.
Casa de Livro Recomenda.



A questão é que eu não imaginava que pudesse haver outra maneira até receber aquela lembrança.


Titulo: O Doador de Memórias
Titulo Original: The Giver
Autor: Lois Lowry
Ano: 1993
Páginas: 190
Editora: Arqueiro.

Boa Leitura.
Casa de Livro.

Karina Belo.



Pedalando rapidamente pelo caminho, ele se sentiu estranhamente orgulhoso por ser parte daquele que tomavam as pílulas. Por um momento, entretanto, ele se lembrou outra vez do sonho. O sonho fora prazeroso. Apesar dos sentimentos confusos, ele achava que gostara daquilo que sua mãe chamava de atiçamentos. Lembrou-se de que, ao acordar, tivera vontade de senti-los de novo.
Então, da mesma forma como sua residência sumiu atrás de si quando dobrou uma esquina em sua bicicleta, o sonho sumiu de seus pensamentos. Muito ligeiramente, com um pouquinho de culpa, ele tentou resgatá-los. Mas a sensação desaparecera. Os atiçamentos tinham passado.


Com a mão ainda firmemente pousada no ombro de Jonas, a Anciã-Chefe enumerou suas qualidades.
- Inteligência – disse ela – todos estamos cientes de que Jonas tem sido um excelente aluno durante a sua vida escolar.
Fez uma grande pausa e citou em seguida:
- Integridade. Jonas, como todos nós, cometeu pequenas transgressões. – sorriu para ele – já esperávamos por isso. Esperávamos, também, que se apresentasse prontamente para receber punição, o que ele sempre fez.
E prosseguiu:
- Coragem. Apenas um de nós aqui hoje passou pelo rigoroso treinamento que a função de Recebedor exige. E essa pessoa é, inegavelmente, o membro mais importante do Comitê: o atual Recebedor. Foi ele quem nos lembrou repetidamente da necessidade da coragem. Jonas – a disse, virando-se para ele, mas falando numa voz que a comunidade inteira podia ouvir -, o treinamento exigido de você envolve dor. Dor física.

 


- As coisa podiam mudar, Gabe – Jonas continuou a falar. – Podiam ser diferentes. Não sei como, mas deve haver um jeito qualquer para fazê-las ficar diferentes. Poderia haver cores. E avós – acrescentou, fitando o teto de seu dormitório através da penumbra. – E todo mundo teria as lembranças. Você sabe das lembranças – murmurou, virando-se para o berço.
A respiração de Gabriel soava regular e profunda. Jonas gostava de tê-lo ali, apesar de se sentir culpado por causa do segredo. Toda noite dava lembranças a Gabriel: lembranças do passeio de barco e piqueniques ao sol; de chuva caindo suave nas vidraças; de dançar descalço na grama úmida.
- Gabe?
A criança-nova se mexeu ligeiramente. Jonas olhou na direção dela.
- Poderia haver amor – sussurrou Jonas.

 

Utilizando o que restava de suas forças e um conhecimento especial que trazia no fundo de si, Jonas encontrou o trenó que esperava por eles no alto da colina. Seus dedos insensíveis tatearam a procura da corda.
Instalou-se no trenó e abraçou Gabe com força. A colina era íngreme, mas a neve estava solta e macia, e ele sabia que desta vez não haveria gelo, nem queda, nem dor.
Dentro de seu corpo frio, seu coração enchia-se de esperança.


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