14 de ago de 2015

OUÇA O QUE EU DIGO – Cesar Bravo.


Cesar Bravo é sem dúvidas um dos parceiros mais queridos do Blog Casa de Livro.
Suas obras, resenhadas por nós, tem um “quê” de mistério somado ao terror perfeito do autor.
A obra “Ouça o Que eu Digo”, apenas uma palavra consegue descrevê-la: Magnífico.
Um livro que nos leva para dentro da história.
Personagens tão bem elaborados que nos sentimos ali, presentes. Vivendo cada acontecimento ao lado da Prefeita Mirian, Vereador Orlando Torque, Delegado Zétia e muitos outros que estarão gravados em minha mente para sempre.
Nova Enoque é uma cidade pequena. Seus habitantes, todos se conhecem. Sabe aquela cidade que um suspiro mais alto já é motivo de falação? Essa é Nova Enoque.


Mas seus habitantes não são todos interioranos bonzinhos não. A maldade paira sobre aquelas pessoas.
Corrupção, Estupros, Drogas, Bandidagem total, fazem parte do cenário.
Claro que as coisas acontecem por de baixo do pano, ninguém seria burro de enfrentar a polícia a troco de nada.
Mas as coisas pioraram. Parece que o demônio está a solta, incentivando aquelas pessoas a cometerem as mais terríveis desgraças contra seus companheiros.
O mal começou a trabalhar através de Roger Minotto.
Roger sempre foi um garoto bom. Seu pai era um pilantra da maior espécie. Mas Roger era um covarde a seus olhos.
O garoto estava envolvido com Milena Sultão, realmente gostava daquela menina. Ela não era tudo o que ele imaginava, pode ser que estava apenas interessada em sua fortuna, mas para Roger não fazia diferença.


Ele não seria capaz de matar uma mosca. Mas em uma noite, em que Milena não quis se entregar, foi possuído por algo tão maléfico, que cometeu as maiores atrocidades contra ela.
A partir desse momento a cidade virou de cabeça para baixo.
Delegado Zétia já não entendia mais o que estava acontecendo com aquela cidade.
O cheiro de vingança e morte rondava aquelas pessoas. Todos queriam sangue, todos queriam terror.
Pauline sempre foi uma pobre coitada, que não tinha voz para nada.
Era humilhada por Bosco, seu marido, a todo instante. Tinha medo do que ele podia fazer. Aguentava calada todas as surras, temia por sua vida, mas não suportava mais viver daquela forma.
Foi quando em um ataque de insanidade, o rádio conversou com ela. Uma voz que lhe inflamava tamanha raiva ao expor os segredos sujos do marido, tanta humilhação, que levou Pauline a decidir dar um fim em tudo aquilo.


Sequestros.
Mortes.
Torturas.
Crianças queimadas vivas.
Uma cidade até então pacata, da noite para o dia, virou cenário dos crimes mais bárbaros.
Quem poderia estar por trás de tudo aquilo?
Quem estava sussurrando no ouvido de pessoas de bem, para que pudessem fazer tamanhos absurdos?
Madame Safira é a única que tinha a solução.
A vidente sabia o que estava acontecendo.
Uma vingança sanguínarea comandada pelo Coronel Constâncio Trindade.
As famílias mais antigas da cidade, as que mais estavam sofrendo com os horrores de Nova Enoque, presenciaram a morte de Coronel Constâncio.
Um homem que mutilava, estuprava e escravizava seus funcionários.
Ele jurou vingança, a todos aqueles que ajudaram para que o seu fim chegasse.
O solo de Nova Enoque estava amaldiçoado.
Ele voltaria, e usaria as pessoas para acabar com tudo o que ali existia.
Nada mais poderia detê-lo.


Ninguém ousaria ficar em seu caminho.
A cada dia a cidade estava sofrendo mais.
O Delegado já não sabia mais o que fazer.
Padre Estevão também foi vítima da maldade daquela Terra.
Zétia precisará acreditar em Madame Safira.
Só ela poderá ajudá-lo a acabar com o demônio que ronda Nova Enoque.
Coitada daquelas pessoas, daquelas crianças.
O coração do Delegado está partido, ele não suportar mais tanta desgraça. Tanto sangue.
O ar cheira sangue.
Sangue de pessoas que ele conheceu, viu nascer. Pessoas que ele aprendeu a respeitar, a amar.
Não poderia mais admitir que continue acontecendo.
Apenas os antepassados da trindade, conseguirá mandar aquele demônio para o inferno definitivamente.
Após tantas mortes que aconteceram em seus braços, Zétia se unirá a Safira, e juntos enfrentarão o mal encarnado.
Será possível que conseguirão salvar Nova Enoque da desgraça?
Porque tanta raiva em um só homem?
Será possível exterminar tamanha maldade?
Uma obra que nos tira o fôlego.
Escrita com a maestria que Cesar Bravo provou possuir.
Casa de Livro Recomenda.




Titulo: Ouça o Que Eu Digo.
Autor: Cesar Bravo.
Ano: 2015
Páginas: 348
Amazon Ebooks.

Boa Leitura. 

Casa de Livro.



Karina Belo.

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Quando as duas olharam na direção daquele fedor estranho, muita gente fazia o mesmo. No começo ninguém gritou ou saiu correndo. Assistir um carro queimando no meio de um comício já seria interessante, mas o carro do safado do Torque? Era uma espécie se prêmio de consolação para quem perdeu a tarde ouvindo desculpas esfarrapadas.


Encontrou alguém entre as chamas. Alguma coisa que parecia não se incomodar com aquele calor que derreteria ossos. Estava bem no meio do caminho, parado, olhando para frente, olhando para ele. O fogo o circundava, ficando mais claro, quase branco, em volta do corpo. Usava terno e sapatos escuros. Não fazia sentido que aquela coisa existisse, mas sim, ele estava ali, saboreando a desgraça. Quando outra explosão trouxe o teto acima dele para baixo, Zétia correu com Clélia em seus braços.


O andarilho deu um passo em direção a ela e abriu os braços, sua jaqueta velha, cor de terra, balançou. Patrícia ganhou dois metros de distância e passou diante dos olhos famintos do homem. Ele agarrou a própria virilha e sorveu o ar com vulgaridade. Meteu a língua para fora e a moveu como uma serpente. Seus olhos ficaram vermelhos, olhos de lebre. Patrícia não ficou parada para ver mais nada. Tomou a esquerda que estava livre, não arriscaria passar perto dele, nem para chegar à cidade. Patrícia só parou de correr quando seus pulmões estafaram. Então pensou em Miriam e no que disse o vagabundo.



Perto da porta do galpão, Safira caiu de joelhos e agarrou-se a terra. Esfregou o pó entre suas mãos até que a maioria dos grãos caísse de volta. Fez isso algumas vezes. Ela chorava um pouco, em parte consumida por aquele homem que voltou dos mortos. Zétia tocou seus ombros. Ela olhou para seu semblante preocupado e disse:
Está terminado.
Raios riscaram o céu. O firmamento rugiu e derramou seu perdão.

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