Clássico escrito por
Almeida Garret, Viagens na minha Terra, pode ser considerado um romance
contemporâneo. Além da viagem que de fato acontece paralelamente o autor nos
conta um romance sentimental.
O que mais me encantou na
obra, é que Garret nos conta um fato real, uma viagem que o mesmo realmente fez
a Santarém e que teve o cuidado de situar no tempo. Tantas e tais viagens, que
nunca delas o leva justamente, pela mão de um companheiro e itinerário, a
centrar-se no drama sentimental de Carlos e a meninas dos rouxinóis, Joaninha.
Mas vamos
então comentar melhor sobre essa obra maravilhosa. O romance resume-se, a
intrincada história de uma velhinha com sua neta Joaninha. A menina moça tem um
primo, filho da única filha da avó. Que já chegou a falecer.
Todas as
semanas Frei Dinis vinha visita-las e algumas vezes trazia notícias de Carlos,
que já algum tempo, fazia parte do séquito de D. Pedro. Só que a maneira como
Frei Dinis falava de Carlos, dava para perceber algo que só a idosa e o mesmo
conheciam.
Passara o ano de 1830,
Carlos então se formou em Coimbra, e só então visitou sua família, mas com
muitas reticências em relação a avó e a Frei Dinis. Carlos também pressentia
que ele e a avó mantinham um segredo, ele sentia isso, era quase palpável.
Carlos em suas andanças, já tinha elegido uma fidalga para ele. D. Georgina,
mulher de fino trato, com era expressada na época.
Em contra partida a guerra
civil progredia, eram meados de 1833. Os constitucionalistas tinham tomado a
esquadra de D. Miguel. Lisboa estava em poder deles, e Carlos era um dos
guerreiros da parte Realista.
Em 11 de Outubro, os
soldados estão por todos os lados de Lisboa, as tropas constitucionais vinham
ao encalço dos Realistas, e na batalha sangrenta, e que batalha, muitos ficaram
feridos.
A Casa de Joaninha foi
tomada por soldados Realistas, que vigiavam a passagem dos Constitucionais.
Joaninha em um passeio por perto de casa, encontra então Carlos, um dos
guerreiros. Ele pede que a moça não diga que ele está lutando ali, mas
abraçam-se e trocam juras de amor ali mesmo. Só que Carlos sabia que Georgina o
esperava, e a sua mente tornou-se confusa, já não sabia se amava Georgina, o
sentimento por Joaninha era enorme, ele não conseguia se decidir.
Com Carlos ferido e
alojado perto do vale onde morava Joaninha, essa veio inúmeras vezes vê-lo, e
ajudá-lo na enfermidade. Certo dia Carlos depois de muita insistência de
Joaninha foi ver a avó, e ficou surpreso da cegueira da senhora, como sempre
encontrou no local Frei Dinis, e quanto mais olhava menos gostava do senhor.
Enquanto permaneceu por perto, Carlos e Joaninha mantiveram em segredo um
caloroso e inesquecível romance.
Mas Carlos, já curado dos
ferimentos seguiu para a tropa, e antes passou na casa da avó para se despedir.
Implorou para que ela contasse a verdade sobre o suspeito segredo. Então Dona
Francisca conta que o Frei Dinis é o verdadeiro pai do rapaz. Conta também que
a sua mãe morreu de desgosto e para se defender, Frei Dinis matou o pai de
Joaninha, e o marido da sua amante.
Carlos partiu atordoado,
deixando Joaninha desolada. Volta a viver com Georgina. Escreve a prima
contando todo o seu romance com Georgina o que para a moça foi um impacto
terrível. Mais tarde Carlos se tornou Barão. Carlos
também abandonou Georgina.

Joaninha
enlouqueceu e morreu. Frei Dinis foi quem cuidou da velha senhora até a morte.
E assim o Comboio chega ao terreiro do Paço, e Garret finaliza mais uma das
suas melhores obras.
Almeida Garret fez uma
magnifica obra, que foi o ponto de arranque da moderna prosa literária portuguesa,
pela mistura de estilos e de gêneros, pelo cruzamento de sua linguagem clássica
com a popular. Jornalística e dramática, ressaltando a vivacidade de expressões
e imagens pelo tom oralizante do narrador.
Uma linda história que é
deve ser obrigatória não só em vestibulares, mas também para a vida de cada ser
humano existente.
Titulo: Viagens na minha
Terra
Autor: Almeida Garret
Ano: 1846
Páginas: 268
Editora: Martin Claret
Boa Leitura
Casa de Livro Blog
Karina Belo
O
coração humano é como o estômago humano, não pode estar vazio, precisa de
alimento sempre: são e generoso só as afeições lhe podem dar; o ódio, a inveja
e toda a outra paixão má é estímulo que só irrita, mas não sustenta. Se a razão
e a moral nos mandam abster destas paixões, se as quimeras filosóficas, ou
outras, nos vedarem aquelas, que alimento dareis ao coração, que há de ele
fazer? Gastar-se sobre si mesmo, consumir-se… Altera-se a vida, apressa-se a dissolução
moral da existência, a saúde da alma é impossível.
Sim, leitor
benévolo, e por esta ocasião vou te explicar como nós hoje em dia fazemos a
nossa literatura. Já não me importa guardar segredo; depois desta desgraça não
me importa já nada. Saberás, pois, ó leitor, como nós outros fazemos o que te
fazemos ler.
Trata-se de um romance, de um drama — cuidas que vamos estudar a história, a natureza, os monumentos, as pinturas, os sepulcros, os edifícios, as memórias da época? Não seja pateta, senhor leitor, nem cuide que nós o somos. Desenhar caracteres e situações do vivo na natureza colori-los das cores verdadeiras da história… isso é trabalho difícil, longo, delicado, exige um estudo, um talento, e sobretudo um tato!…
Não senhor: a coisa faz-se muito mais facilmente. Eu lhe explico. Todo o drama e todo o romance precisa de: Uma ou duas damas. Um pai. Dois ou três filhos, de dezenove a trinta anos. Um criado velho. Um monstro, encarregado de fazer as maldades. Vários tratantes, e algumas pessoas capazes para intermédios. Ora bem; vai-se aos figurinos franceses de Dumas, de Eug. Sue, de Vítor Hugo, e recorta a gente, de cada um deles, as figuras que precisa, gruda-as sobre uma folha de papel da cor da moda, verde, pardo, azul — como fazem as raparigas inglesas aos seus álbuns e scraapbooks, forma com elas os grupos e situações que lhe parece; não importa que sejam mais ou menos disparatados. Depois vai-se às crônicas, tiram-se um pouco de nomes e de palavrões velhos; com os nomes crismam-se os figurões, com os palavrões iluminaram…(estilo de pintor pintamonos). E aqui está como nós fazemos a nossa literatura original.
Trata-se de um romance, de um drama — cuidas que vamos estudar a história, a natureza, os monumentos, as pinturas, os sepulcros, os edifícios, as memórias da época? Não seja pateta, senhor leitor, nem cuide que nós o somos. Desenhar caracteres e situações do vivo na natureza colori-los das cores verdadeiras da história… isso é trabalho difícil, longo, delicado, exige um estudo, um talento, e sobretudo um tato!…
Não senhor: a coisa faz-se muito mais facilmente. Eu lhe explico. Todo o drama e todo o romance precisa de: Uma ou duas damas. Um pai. Dois ou três filhos, de dezenove a trinta anos. Um criado velho. Um monstro, encarregado de fazer as maldades. Vários tratantes, e algumas pessoas capazes para intermédios. Ora bem; vai-se aos figurinos franceses de Dumas, de Eug. Sue, de Vítor Hugo, e recorta a gente, de cada um deles, as figuras que precisa, gruda-as sobre uma folha de papel da cor da moda, verde, pardo, azul — como fazem as raparigas inglesas aos seus álbuns e scraapbooks, forma com elas os grupos e situações que lhe parece; não importa que sejam mais ou menos disparatados. Depois vai-se às crônicas, tiram-se um pouco de nomes e de palavrões velhos; com os nomes crismam-se os figurões, com os palavrões iluminaram…(estilo de pintor pintamonos). E aqui está como nós fazemos a nossa literatura original.
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