28 de out. de 2021

Sobre a brevidade da vida por Sêneca 

( Estoicismo )

Uma obra cinquenta anos pós Cristo, sendo a décima do autor. Abordando o tempo de duração da vida. Na obra Sêneca critica as pessoas que julgam que a vida é breve demais. Enquanto Hipócrates e Aristóteles, consideram a vida bastante longa, e quem a encurta são as pessoas, devido ao motivo de não saberem fazer uma boa gestão dessa dádiva que é a vida. O tempo da vida certamente é o nosso bem mais precioso. E isso levanta-se afrontando as pessoas que não abrem mão do dinheiro, enquanto desperdiçam seus dias. A obra atinge os equivocados sobre o real valor de seu tempo e tarefas do dia a dia. Para Sêneca, somente uma vida dedicada aos estudos filosóficos podem dar dignidade ao tempo que cada um recebe. 

Lições de Sêneca para um vida feliz.

Sêneca nos diz:

Primeira lição — Você vai morrer, então não desperdice tempo

A maior parte dos mortais, Paulino, lamenta a maldade da Natureza, porque já nascem com a perspectiva de uma curta existência e porque os anos que lhes são dados transcorrem rápida e velozmente.

Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai. Desse modo, não temos uma vida breve, mas fazemos com que seja assim.


Segunda lição - As coisas não são o mais importante

Nenhum homem sábio deixará de se espantar com a cegueira do espírito humano. Ninguém permite que sua propriedade seja invadida, e, havendo discórdia quanto aos limites, por menor que seja, os homens pegam em pedras e armas. No entanto, permitem que outros invadam suas vidas de tal modo que eles próprios conduzem seus invasores a isso. […] São econômicos na preservação de seu patrimônio, mas desperdiçam o tempo, a única coisa que justificaria a avareza.

Se pudéssemos apresentar a cada um a conta dos anos futuros, da mesma forma que se faz com os que já passaram, como tremeriam aqueles que vissem restar-lhes poucos anos e como o economizariam! Pois, se é fácil administrar o que, embora pouco, é certo, deve-se conservar com muito cuidado o que não se pode saber quando acabará.

Não julgues que alguém viveu muito por causa de suas rugas e cabelos brancos: ele não viveu muito, apenas existiu por muito tempo. Julgas que navegou muito aquele que, tendo se afastado do porto, foi pego por violenta tempestade e, errante, ficou à mercê dos ventos, ao capricho dos furacões, sem, no entanto, sair do lugar? Ele não navegou muito, apenas foi muito acossado.

Terceira lição — Não espere pelo amanhã, porque será tarde demais

Ouvirás a maioria dizendo: “Aos cinquenta anos me dedicarei ao ócio. Aos sessenta, ficarei livre de todos os meus encargos”. Que certeza tens de que há uma vida tão longa? O que garante que as coisas se darão como dispões? Não te envergonhas de destinar para ti somente resquícios da vida e reservar para a meditação apenas a idade que já não é produtiva?

Quarta lição — Estar ocupado não é fazer algo útil

Se não tomas a iniciativa, o dia foge e, mesmo que o tenhas ocupado, ele fugirá. Assim, é preciso combater a celeridade do tempo usando a velocidade, tal como de uma rápida corrente, que não fluirá para sempre, se deve beber depressa. […] A velhice aflige tanto os seus espíritos infantis, que chegam a ela despreparados e desarmados. Na verdade, nada foi previsto: subitamente e sem estarem prontos chegam a ela, não percebendo que ficava mais próxima todos os dias.

Assim é o caminho da vida, incessante e muito rápido, que, dormindo ou acordados, fazemos com um mesmo passo e que, aos ocupados, não é evidente, exceto quando chegam ao fim.

[…] somente o tempo presente pertence aos homens ocupados, tempo este tão breve que não pode ser alcançado e que é retirado deles já que estão distraídos com muitas coisas.

Sobre o Autor:

SÊNECA nasceu em Córdoba, Espanha, em 04 a.C., durante o Império Romano. Filho do orador Marco Aneu Sêneca (o Velho), passou grande parte de sua vida em Roma, onde estudou retórica e filosofia. Escreveu nove tragédias e uma sátira. Deixou diversos escritos em prosa, entre eles, 124 cartas, tratados e uma série de ensaios filosóficos. É o principal representante romano do estoicismo, doutrina filosófica caracterizada pela consideração do problema moral. Condenado ao suicídio por conspiração contra o imperador, morreu no ano de 65.


Editora: ‎ Principis

Autor: Sêneca

Fábio Meneses Santos (Tradutor), 

Walter Sagardoy (Contribuinte), 

Fernando Laino Editora (Contribuinte), 

Fernanda R. Braga Simon (Contribuinte)

Edição: 26/2021

Idioma : ‎ Português

Capa comum ‏ : ‎ 96 páginas

Boa Leitura

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