18 de mai de 2012

Amyr Klink - 100 Dias Entre Céu e Mar.

Nosso aventureiro preparou minuciosamente a aventura, não deixando de prever nenhum detalhe, cada centímetro do barco foi muito bem elaborado e discutido. Assim como toda a aventura, resumindo-se em planejamento estratégico, gerenciamento de risco e  qualidade de trabalho em equipe. Sim, ele estava preparado para todas as intempéries e quaisquer circunstâncias. E todo o projeto fora realizado com uma excelente equipe. A única coisa que na qual ele não estava preparado, era se ocorresse o fato de não partir.
Cem Dias Entre Céu e Mar, Amyr Klink elaborou  algo de grande valia, seu livro apresenta um conteúdo muito bem conduzido, de fácil compreensão. Você não irá se assustar com os termos técnicos, mesmo não conhecendo nada de navegação em alto mar,  o leitor vai aprendendo muito no decorrer de cada página, temos também um glossário no final do livro. Ao final de tudo você fica imaginando que marujo você seria.
A aventura é mencionada em todas as facetas que ela existe, desde as partes burocráticas, até o próprio e tão esperado lançamento do Paraty nas águas do porto de Luderitzem Namíbia,  África do Sul, rumo a uma travessia de grande dificuldade que exige um elevado nível técnico de navegação,  jamais realizada por um Brasileiro nesses parâmetros e trajeto proposto. Tudo foi pensado, desde suprimentos, meios de comunicação para posicionamentos e aferição de coordenadas, assim como possíveis acidentes que viriam a ocorrer.
O navegador é prisioneiro dos instrumentos, ou seja, só enxerga seu destino a partir destes, "Navegar é preciso, viver não é preciso", a necessidade da precisão é primordial, um erro em alto mar pode custar a sua vida. Tudo isso que você ira acompanhar no decorrer do livro, e até mesmo a essencialidade de estar apto a improvisos.
Interior do Paraty
Ele nos transporta para um mundo solitário, colocando em prova, todas as suas faculdades mentais, aonde os únicos companheiros foram as baleias, tubarões, peixes voadores, golfinhos entre outros animais. O livro contém fotos, desde a elaboração do projeto, durante a viajem e o grande final. O Leitor vai poder também apreciar o diário de bordo de Amyr Klink, bem como trecho das cartas marítimas e várias anotações, tudo isso para podermos ter uma breve idéia do que se passou no pequeno barco Paraty a remo, com seus 6,5 metros, nessa travessia incomum.
O Livro não é uma história bonita contada por um simples remador, são diversos os momentos de tensão, e superação física e mental. Você irá se colocar nas situações em que Amyr nos apresenta, indagando-se, o que eu faria se fosse comigo?
Quatro meses em alto mar, calculando rotas, vencendo ondas, tempestades e remando rumo a um sonho.
Amyr nos deixa orgulhosos no final do livro. Um Brasileiro honrando a nação mostrando grande capacidade, superação e força de vontade na grande aventura de 6500 km  de Luderitz África  do Sul até o nosso litoral Baiano.
Uma excelente leitura, vale apena conferir tudo que Amyr Klink “aprontou”, um belo exemplo que pode ser transportado para qualquer campo ou objetivo que se tenha na vida.



Titulo: Cem Dias Entre Céu e Mar
Autor: Amyr Klink
Editora:  Olimpio
Ano: 1985
Idioma: Português
Paginas: 264

Boa Leitura

Casa de Livro Blog

Sidney Matias 

Frases e trechos de alguns dos livros de Amyr Klink:

“… A natureza é infinitamente mais forte do que o homem…” 

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.


"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir"


" Passados dois meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão. Um estado interior que não depende da distância...nem do isolamento; um vazio que invade as pessoas... E que a simples companhia ou presença humana não pode preencher. Solidão foi a única coisa que eu não senti, depois que parti...nunca...em momento algum. Estava, sim, atacado de uma voraz saudade. De tudo e de todos, de coisas e de pessoas que há muito tempo não via. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias. Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudade...mas não estará só!


"Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer. "

"O pior naufrágio é não partir."















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