4 de set de 2012

Aluisio Azevedo - O CORTIÇO


Mais um clássico da literatura brasileira aqui no blog Casa de Livro, hoje iremos comentar um pouco sobre O Cortiço. Obra de Aluísio de Azevedo, que tem como pontos principais o capitalismo selvagem e a ambição extrema.
Nosso personagem principal hoje é João, um homem qualquer, trabalhador e muito economizador, porém sente cada vez mais sede de riqueza e não medira esforços para conseguir o que tanto almeja. Sempre arranjando brigas ele arranja uma confusão com Miranda, seu vizinho, ao disputar palmos de Terra, e chega até a roubar para conseguir o que tanto deseja. Um cortiço com casinhas e tinas para lavadeiras. Prosperou em seu projeto e veio morar na casa de Miranda junto com Henrique, um estudante de medicina, que veio para a cidade morar no cortiço para que pudesse terminar os estudos. Na casa, além de escravos e sua família morava um senhor parasita, Botelho.
O cotidiano da vida no cortiço ia de acordo com a rotina e a realidade de seus moradores atuais, onde lavadeiras eram os tipos mais comuns. Jerônimo, um português da região, foi conversar com João oferecendo-lhe seus serviços, Jerônimo queria trabalhar na pedreira. João muito ambicioso não queria contratar o português, porém após muito conversarem o mesmo acabou cedendo, mas com uma condição, Jerônimo teria que morar no cortiço e comprar em sua venda.
A mudança de Jerônimo e sua esposa, Piedade, sucedeu-se sob comentários e cochichos das lavadeiras, e muito tempo depois que o casal conseguiu conquistar a amizade e total confiança dos outros. Ao contrário de João, Jerônimo era educado, sincero e respeitável. Levavam uma vida simples e sua filha estudava num internato.
No cortiço era lei, todo domingo, os moradores vestem suas melhores roupas e se reúnem para jantar, dançar, festejar, tudo muito a vontade. E ai aparece uma figura inusitada, Rita Baiana, que se destaca nas reuniões por conta de seu choro, muito bem representado pela Baiana uma mulata faceira e seu amante Firmo o valentão da região.
Toda aquela agilidade na dança deixara Jerônimo admirado ao ponto de perder noites em claro pensando na mulata Rita. O homem mudou seus costumes, brigava com sua esposa e a cada dia mais se afeiçoava pela Rita Baiana.
Henrique que veio com o intuito de estudar acabou se envolvendo em uma briga cruel, pois ele estava apaixonado por Leocádia, e conseguiu fazer com que a mesma passasse uma noite na cama com ele, porém Bruno, o marido da pobre moça os pegou, despejando-a de casa depois de fazer um baita escândalo. Como Henrique poderia cuidar da moça? Um pobre estudante que não tem onde cair morto?
Dessa vez Miranda que promove uma festa em sua casa, e ainda por cima manda um convite para João, o que deixou o vizinho ainda mais bravo e com ódio de Miranda. O forró no cortiço começou, e uma briga feia se travou entre Jerônimo e Firmo. Jerônimo que estava armado com uma navalha, à polícia chegou, e foi aquele rebuliço em todo o cortiço. Muitos dos moradores seguiram até a delegacia. Rita baiana deixou seu amante Firmo de lado, e incansavelmente cuidou do enfermo Jerônimo, dia e noite.
No cortiço foi proibido, nada se dizia a respeito dos culpados e vítimas. Piedade, mesmo com toda a humilhação, não se aguentava chorando, muito descontente e desesperada por seu marido acidentado. Firmo não mais entrava por lá, ameaçado por João de ser entregue a polícia.
A festa se fez por D. Isabel, ao saber de tão esperada notícia. Estava Pombinha a preparar seu enxoval quando Bruno chegou e lhe pediu que escrevesse uma carta a Leocádia. Ele chorava, ao ver a reação de submissão dele, desfrutava sua nova sensação de posse do domínio feminino. Imaginava furtivamente a vida de todos, pois sua escrivaninha servia de confessionário. Via em seu viver que tudo aquilo continuaria, pois não havia homens dignos que merecessem seu amor e respeito. Pombinha, mesmo incerta, casa-se com o Costa, foi grande a comoção no cortiço. Surgiu um novo cortiço ali perto, a “Cabeça de Gato". A rivalidade com o cortiço de João Romão foi criada. Firmo hospedou-se lá, tendo ainda mais motivos contra Jerônimo, e deixando todos ainda mais irritados e com ódio do valentão, principalmente a Rita Baiana. João, satisfeito com sua segurança sobre os hóspedes, investia agora em seu visual e cultura, com roupas, danças, leituras e uma amizade com Miranda e o velho Botelho.
Mas João irá se vingar, ele não vai deixar que seu nome seja manchado de tal forma, e então surge a noticia de que Firmo esta morto.
Rita acabou assumindo seu caso com Jerônimo, ele sonhavam em começar uma vida nova ao lado da mulata, despediu-se do emprego e de sua mulher. Contou a Piedade tudo o que estava acontecendo, e tudo o que estava sentindo. E prometeu pagar o colégio de sua filha.
Mas Piedade não deixou barato, atracou-se em uma briga com Rita no momento em que a Mulata saía de mudança, o cortiço todo e mais pessoas que surgiram no momento da briga, entraram também na guerra. Foi um tremendo alvoroço.
Nem a polícia teve coragem de entrar sem reforço. Os Cabeças de Gato também entraram na briga. Travou-se a guerra, a luta dos capoeiristas rivais aumentava progressivamente quando o incêndio nos 88 desatou ensanguentando o ar. A causa foi à mesma anterior, por um desejo maquiavélico, a velha considerada bruxa incendiou sua casa, onde morreu queimada e soterrada, rindo ébria de satisfação. Com todo alvoroço, surgia água de todos os lados e só se pôs fim na situação quando os bombeiros, vistos como heróis, chegaram. O velho Libório, mendigo hospedado num canto do cortiço, ia fugindo em meio à confusão, mas João o seguiu. Descobriu então que o velho estava fugindo com mantimentos de seu cortiço e se vingou do mendigo.
Mesmo assim Piedade foi despejada indo refugiar-se no Cabeça de Gato, que tornara-se claramente um verdadeiro cortiço fluminense. Ocorreu um encontro em uma confeitaria na Rua do Ouvidor, entre a família do Miranda, o Botelho e o João Romão que se puseram a conversar. Na volta, seguindo em direção ao Largo São Francisco, João e Botelho optaram em ficar na cidade a conversar sobre o fim que se daria à crioula. Estava tudo certo, seu dono iria buscá-la junto á polícia. Quando isso se sucedeu, ao ver-se sem saída, impetuosa a fugir, com a mesma faca que descamava e limpava peixes para o João, Bertoleza rasgou seu ventre fora a fora. Naquele mesmo instante João Romão recebera um diploma de sócio benemérito da comissão abolicionista.
É um marco do naturalismo no Brasil, onde os personagens principais são os moradores de um cortiço no Rio de Janeiro, precursor das favelas, onde moram os excluídos, os humildes, todos aqueles que não se misturavam com a burguesia, e todos eles possuindo os seus problemas e vícios, decorrentes do meio em que vivem.
Aluísio Azevedo descreve a sociedade brasileira da época com perfeição, desde os mais humildes e arruaceiros até os mais burgueses. Clássico brasileiro O cortiço é referencia mundial, e solicitado em vários vestibulares.
Vale muito a pena apreciar tal obra pessoal. Casa de livro recomenda.




Titulo: O Cortiço
Autor: Aluísio Azevedo.
Ano: 1890
Páginas: 232
Editora: Martin Claret


Boa Leitura

Casa de livro Blog

Karina Belo






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