30 de set de 2012

Manuel Antônio de Almeida - MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS



                       
Memórias de um Sargento de Milícias é um clássico romance de Manuel Antônio de Almeida. Publicado primeiramente em folhetins no Correio Mercantil do Rio de Janeiro, entre 1852 e 1853, anonimamente. Já o livro foi publicado em 1854 e no lugar do autor era especificado apenas “um brasileiro”.
A narrativa desta incrível obra, de estilo jornalístico e direto, incorpora a linguagem dar ruas, classes média e baixa, fugindo dos padrões românticos da época, onde os romances retratavam os ambientes aristocráticos. Por ter tido uma infância pobre, Manuel Antônio de Almeida conseguiu desenvolver com perfeição sua obra.
Mas vamos comentar um pouquinho sobre o livro.
Leonardo e Maria viajavam de Lisboa para o Rio de Janeiro, em um navio, onde se apaixonaram perdidamente. Logo após eles se casaram e tiveram um filho que se chamava também Leonardo, que desde pequeno era manhoso e muito arteiro. Com o passar do tempo Maria começou a trair o marido e quando ele descobriu, deu uma surra cruel em Maria, que acabou se revoltando e fugindo com seu amante, que era um capitão de navio, e os dois foram para Lisboa. Leonardo então foi embora, onde ninguém mais teve notícias e abandonou o pequeno filho.

Leonardinho ficou então aos cuidados de seu padrinho, um barbeiro que tinha uma vida um pouco melhor e tinha condições e que gostava muito do menino. Planejou fazê-lo padre, iniciou a escrita e a leitura e depois encaminhou para a escola. Por esses tempos a madrinha de Leonardinho também apareceu e lhe visitava sempre que podia. O menino não passava um dia sem apanhar na escola, do professor. Quando passou a ir sozinho, faltava às aulas e ia para a igreja se juntar a Tomás e fazer bagunça.
Imaginando a facilidade que teria em aprontar se viesse a ser coroinha como o amigo, pediu ao padrinho para que o ajudasse a ser coroinha. O Padrinho então ficou muito feliz e aceitou o interesse pela igreja que o garoto tinha. Mas logo Leonardinho foi expulso por tanto aprontar.
Agora já rapaz Leonardinho leva uma vida de vagabundo. Ele e seu padrinho passaram a frequentar a casa de Dona Maria, essa tinha uma sobrinha, Luisinha, que deixou Leonardo completamente encantado e apaixonado.
Mas quando ele achou que a garota também estava se apaixonando por ele, apareceu um rival, José Manuel. A Madrinha de Leonardo então inventou várias mentiras, para que José Manuel pudesse perder toda a credibilidade na cidade.
Nesse mesmo período o padrinho de Leonardo morreu e ele acabou sendo obrigado a ir viver com seu pai, que vivia com uma mulher que o mesmo não amava.
Leonardo também não se dava bem com a madrasta, então em um dia após visitar Dona Maria e não ver Luisinha, se envolver de novo em uma briga com a madrasta, seu pai tomou parte dela e o ameaçou com uma espada. Leonardo então fugiu.
Depois de muito andar acabou encontrando Tomás e mais alguns amigos, entre eles Vidinha, que lhe despertou uma paixão e um forte desejo. Foi viver na casa deles, lá viviam duas senhoras irmãs, uma era mãe de três moças e outra, mãe de três rapazes. Uma das moças era namorada de Tomás e Vidinha era a paixão de dois dos rapazes. Como essa se mostrava mais interessada em Leonardo, os dois primos armaram contra ele. Mas tal armação acabou o levando preso pelo major Vidigal, um homem muito temido. Porém antes que chegasse à cadeia, o rapaz fugiu. Com o objetivo de evitar motivos para uma nova prisão, a madrinha de Leonardo lhe arrumou um emprego na casa-real, mas Leonardinho logo foi despedido por ter se aproximado da mulher de um dos homens do poder da casa.
Quando ficou sabendo de tal descaramento de Leonardinho, Vidinha foi tirar satisfações. Leonardo foi atrás dela para impedir, mas quando chegaram a porta da casa, na indecisão de entrar ou não, ele acabou sendo levado por Vidigal que o esperava por lá. Nesses tempos a mentira sua madrinha já havia sido revelada e José Manuel foi redimido e ganhou a mão de Luisinha em casamento, logo depois mostrou o mau caráter que tinha.
Vidinha e sua família não conseguiram mais encontrar Leonardo e passaram a odiá-lo. E o rapaz estava na casa de seu pai, em um batizado, mas ele mal sabia que Vidigal e seus homens já estavam o esperando.
Durante todos esses acontecimentos Luisinha ficou viúva, foi no dia do enterro de José Manuel que Leonardo apareceu, e hoje era sargento. Passou a frequentar novamente a casa de Dona Maria, seus interesses por Luisinha renasceram e os dela também. A madrinha e Dona Maria estavam mais que de acordo com o casamento deles, o que impedia era o posto do sargento, que não permitia o casamento. Pediram então novamente a ajuda de Vidigal. O homem cedeu com gosto e fez de Leonardo Sargento de Milícias, ofício que permitia o casamento.
Sendo assim casou-se então com Luisinha.
É bem interessante esse livro até porque Manuel de Almeida explora vários assuntos, e também faz referências à mitologia grega, cita várias personagens reais, como o major Vidigal. Ele apresenta também pequenas histórias no mesmo contexto, histórias paralelas à trama principal. Ele faz de tudo para prender a atenção do leitor para o próximo capítulo, criando assim um estilo próprio, um romantismo irônico e critico a sociedade da época. Mais do que recomendado pela Casa de Livro.





Titulo: Memórias de um Sargento de Milícias
Autor: Manuel Antônio de Almeida
Ano: 1854
Páginas: 192
Editora: Martin Claret


Boa Leitura
 

Casa de Livro Blog

Karina Belo

Nota: 5


Enquanto a comadre dispunha seu plano de ataque contra José Manuel, Leonardo ardia em ciúmes, em raiva, e nada havia que o consolasse em seu desespero, nem mesmo as promessas de bom resultado que lhe faziam o padrinho e a madrinha. O pobre rapaz via sempre diante de si a detestável figura de seu rival a desconcertar-lhe todos os planos, a desvanecer lhe todas as esperanças. Nas horas de sossego entregava-se às vezes à construção imaginária de magníficos castelos, castelos de nuvens, é verdade, porém que lhe pareciam por instantes os mais sólidos do mundo; de repente surdia-lhe de um canto o terrível José Manuel com as bochechas inchadas; e soprando sobre a construção, a arrasava num volver d'olhos.

Após minuciosa caracterização da festa do Divino Espírito Santo,
o narrador se entretém em focalizar a paixão nascente de Leonardo por Luisinha.


O pequeno, enquanto se achou novato em casa do padrinho, portou-se com toda a sisudez e gravidade; apenas, porém foi tomando mais familiaridade, começou a pôr as manguinhas de fora.
Apesar disto, captou do padrinho maior afeição, que se foi aumentando de dia em dia, e que em breve chegou ao extremo da amizade cega e apaixonada. Até nas próprias travessuras do menino, as mais das vezes, achava o bom do homem muita graça; não havia para ele em todo o bairro rapazinho mais bonito, e não se fartava de contar à vizinhança tudo o que ele dizia e fazia; às vezes eram verdadeiras ações de menino malcriado, que ele achava cheio de espírito e de viveza; outras veze eram ditos que denotavam já muita velhacaria para aquela idade, e que ele julgava os mais ingênuos do mundo.


Já se vê que esta vida era trabalhosa e demandava sérios cuidados; porém a comadre dispunha de uma grande soma de atividade; e, apesar de gastar muito tempo nos deveres do ofício e na igreja, sempre lhe sobrara algum para empregar em outras coisas. Como dissemos, ela havia tomado a peito a causa dos maiores de Leonardo com Luisinha, e jurar pôr José Manuel, o novo candidato, fora da chapa.



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