7 de out de 2014

PÁSSARO NO ESCURO – Shri Damodara


Que história.
Shri Damodara já havia nos mostrado todo o seu talento através da obra Karolina Machado, a qual já publicamos aqui no Blog Casa de Livro.
Nossa parceira, a autora, não mediu esforços em nos presentear novamente com mais uma belíssima história por ela escrita.
Pássaro no Escuro, nos mostra uma sociedade simples, pura e magnífica.
Uma história tão real, e comovente, que nos envolve a cada frase lida.
Shri Damodara tem um jeito incrível de escrever, uma forma que nos faz entrar nos personagens, viver com eles, e sonhar o que eles sonham.
Augustinho e um garoto inteligente, habilidoso e de opiniões próprias.
Morando no sítio “Sossego” com seus pais, ele dividia seu tempo entre estudar e trabalhar na roça.
Lizete, sua mãe, era uma mulher forte, vivia pelo sítio. Tudo ali fazia e ajudava em tudo o que era necessário.


Não tinha medo do trabalho, não tinha preguiça. E amava seu filho e o admirava como ninguém mais.
Isael, seu pai, era um homem pacato. Seguia todas as ordens que sua mulher lhe aplicava. Vivia por Lizete, fazia de tudo por ela.
Lizete precisava dar um jeito no sítio, herdou aquele pedaço de chão de seu pai, e seu desejo era repassar a Augustinho, futuramente.
O que se plantava ali não estava dando nem para se alimentarem direito. Ela precisava de um empréstimo, ela precisava fazer aquelas terras prosperarem.
Foi então que decidiram pedir um empréstimo ao banco, precisariam da ajuda de Sr. Osvaldo, vizinho e também um político daquelas bandas.
Augustinho não ia muito com a cara de Osvaldo, sabia que sua fama. Ele também não enganava sua mãe Lizete, mas eles precisavam de ajuda. E o garoto com seus dez anos de idade, não poderia orientar sua mãe no que seria melhor para o sítio.
Osvaldo também tinha uma filha, Dolores, que ficou muito apegada com Lizete. Sua mãe não lhe dava atenção necessária, tinha medo do pai, e a menina por peitar o homem da casa, chorava no colo de Lizete.
Portanto quando o pior aconteceu, a vida de todos naquele local ficou nublada.
Após o empréstimo sair, claro que com uma grande quantia a mais para Osvaldo, Lizete passou a trabalhar com afinco no seu pedacinho de chão.
Passava todas as tarefas que Isael e os trabalhadores deveriam realizar. Também orientada Augustinho, a fazer o seu trabalho e se arrumar para ir à escola.
Enquanto ela iria buscar capim para os animais que ali criavam.

Mesmo com todo o preparo diário de proteção que ela fazia, Lizete foi picada por uma cobra coral.
A morte foi dolorosa. Ela não conseguiu ir à busca de ajuda.
A dor era tanta que ela morreu ali mesmo.
Lizete que movia aquele lugar, que guiava Isael, que ajudava Augustinho, que aconselhava Dolores.
Qual será o destino de todos os que estavam cercados pela proteção e amor dessa mulher?
A guerreira Lizete, que nunca sairá do coração dos que estavam ao seu lado.
Mas o tempo passa e nada melhora.
Isael esta acabado, fraco, não consegue se cuidar, não consegue cuidar de seu filho.
E quando o menino pensa que seu pai está melhorando, que conseguirá ser amparado pelo pai, ter o restou de sua família de volta, uma nova tragédia se abate sobre aquelas terras.


Qual será o destino de Isael?
Augustinho tão pequeno conseguirá enfrentar, sozinho, o que ainda está por vir?
Uma história encantadora, que Shri Damodara encheu de sentimentos.
Logo teremos sorteio de alguns exemplares dessa maravilhosa obra.
Casa de Livro Recomenda.


Porque ele, definitivamente, conseguiu entender a escuridão de Isael.


Titulo: Pássaro no Escuro
Autora: Shri Damodara
Páginas: 133
Ano: 2014
Editora: All Print

Boa Leitura
Casa de Livro

Karina Belo



Augustinho tinha os cabelos dourados. Puxara ao pai e à mãe. Ambos, Isael e Lizete, descendiam de famílias loiras e bronzeadas pelo sol e pelo trabalho. Então, era comum verem aquela cabeça amarela perambulando pelo sítio, silenciosa e pensativamente. Lizete não condenava o filho. Mas discordava de tanta distração. Sem trabalhadores, havia carência na mesa. Por isso, Augustinho também pegava na enxada. Embora tivesse só dez anos.

 

Nesse instante, Augustinho encarou os pais. Seus olhos questionavam por que eles brigavam tanto. Claro. Eram coisas de vida e de morte. Sua mãe tinha medo de que passassem fome. E seu pai, aos sábados, só pensava na cachacinha. Não era um irresponsável. Mas só cumpria as demandas de seu espírito preguiçoso, acostumado às ordens e ao cabresto.

 


Isael deixou a sala. Augustinho ficou olhando nada pela janela.Tristeza. De repente, seu pai entrou de novo. Chorando muito. Desculpando-se. Augustinho quis abraçá-lo. Mas não o fez. E só disse:
“Por favor, se levante! Se levante, meu pai. Se levante...”
Mas Isael deixou a sala. Definitivamente.





Augustinho saiu daquele torpor para acudir o amigo que se agarrava nele, que chorava em total desespero. Ninguém entendia nada. Pois nem desconfiavam quem tinha sido o assassino. Mas Augustinho entendeu. Carabina deixou a sala correndo, e se escondeu, para não mais ser visto.

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