13 de out de 2012

Jorge Amado - CAPITÃES DA AREIA




Essa é uma obra que pode ser chamada sem dúvidas de clássico, Capitães da Areia é um romance escrito pelo brasileiro Jorge Amado. Publicado em 1937 o livro retrata a vida de menores abandonados. Uma história emocionante que também já virou filme e que vale muito a pena conferir.
Os Capitães de Areia, ou Capitão da Areia como também eram conhecidos, se tratava de um grupo de meninos de rua. No livro, Jorge Amado dividiu em três partes. Antes delas, no entanto, via-se uma sequência de pseudo-reportagens, explica-se também que os Capitães da Areia, era um grupo de menores abandonados e marginalizados, que aterrorizavam Salvador. Os únicos que se relacionam com eles são Padre José Pedro, e uma mãe de santo. O reformatório é um antro de crueldade, e as polícias os caçam como adultos. A primeira parte do livro conta algumas histórias quase independentes sobre alguns dos principais Capitães da Areia.
Pedro Bala, o líder, de longos cabelos loiros e uma cicatriz no rosto, uma espécie de pai para os garotos, mesmo sendo tão jovem quanto os outros e depois descobre que é filho de um líder sindical morto durante uma greve.
Agora a seca esta de volta, e o afilhado do Lampião, que tem ódio das autoridades e o desejo de se tornar cangaceiro. O Professor que lê e desenha vorazmente, sendo muito talentoso. O Gato que com seu jeito malandro acaba conquistando uma prostituta. Dalva sem pernas, o garoto coxo que serve de espião se fingindo de órfão desamparado. João Grande, o negro bom, como diz Pedro Bala, segundo em comando. Querido de Deus, um capoeirista que é só amigo do grupo e Pirulito, que em grande fervor religioso. O ápice da primeira parte vem em duas partes: Quando os meninos se envolvem com um carrossel mambembe que chegou à cidade, e exercem sua meninez. E quando varíola ataca a cidade e acaba matando um dois meninos, mesmo com Padre José Pedro tentando ajuda-los e se encrencando por isso. 
Agora a segunda parte do livro, surge uma história de amor quando a menina Dora torna-se a primeira Capitã da Areia, e mesmo que inicialmente os garotos tentem tomá-la a força, ela se torna como mãe e irmã para todos.
O homossexualismo é um assunto que o autor retrata em várias partes, sendo muito comum em seu grupo de personagens, e retrata também o preconceito, principalmente por Pedro Bala.
Mas Professor e Pedro Bala se apaixonam por Dora, e ela se apaixona por Pedro Bala. Quando ela e Pedro são capturados, já que em pouco tempo ela passou a roubar como os meninos, eles são castigados cruelmente, tanto no reformatório quanto no orfanato onde acabam indo parar. Quando escapam, muito enfraquecidos e com fome, se amam pela primeira vez na praia, mas uma tragédia acontece, Dora morre, marcando assim o começo do fim para os principais membros do grupo.
Agora a terceira parte do livro, que na minha opinião é a melhor, “Canção da Bahia, Canção da Liberdade”, essa parte da história irá nos mostrar a desintegração dos líderes. Sem- Pernas se mata antes de ser capturado pela polícia. Professor parte para o Rio de Janeiro para se tornar um pintor de sucesso, entristecido com a morte de Dora. Gato se torna um bandido, agora de verdade, abandonando eventualmente sua amante Dava, para cometer grandes crimes. Pirulito se torna frade. Padre José Pedro finalmente consegue uma paróquia no interior, e vai para lá ajudar os desgarrados do rebanho do Sertão. Volta Seca se torna um cangaceiro do grupo de Lampião e mata mais de 60 soldados antes de ser capturado e condenado. João Grande torna-se marinheiro. Querido-de-Deus continua sua vida de capoeirista e malandro. Pedro Bala, cada vez mais fascinado com as histórias de seu pai sindicalista, vai envolvendo com os doqueiros e finalmente os Capitães da Areia ajudam numa greve. Pedro Bala abandona a liderança do grupo, mas antes os transforma numa espécie de grupo de choque. 
Assim Pedro Bala deixa de ser o líder dos Capitães da Areia e se torna um líder revolucionário comunista.
Este livro foi escrito na primeira fase da carreira de Jorge Amado, e notam-se grandes preocupações sociais, que fazem parte do nosso dia-a-dia. As autoridades e o clero são sempre retratados como opressores e cruéis. Os Capitães da Areia são heroicos que tiram dos ricos e guardam para si , os pobres. O Comunismo é mostrado como algo bom e o Padre José Pedro têm dúvidas quanto à posição da Igreja sobre o assunto. No geral, as preocupações sociais dominam, mas os problemas existências dos garotos os transformam em personagens únicos e corajosos.

Corajosos Capitães da Areia de Salvados. 

Titulo: Capitães da Areia
Autor: Jorge Amado.
Ano: 1937
Páginas: 288
Editora: Companhia das Letras

Boa Leitura

Casa de Livro Blog

Karina Belo 

Nota 4:


 


O Sem-Pernas convidou a todos para irem ver o carrossel na outra noite, quando o acabariam de armar. E saiu para encontrar Nhozinho França. Naquele momento todos os pequenos corações que pulsavam no trapiche invejaram a suprema felicidade do Sem-Pernas. Até mesmo Pirulito, que tinha quadros de santos na sua parede, até mesmo João Grande, que nessa noite iria com o Querido-de-Deus ao candomblé de Procópio, no Matutu, até mesmo o Professor, que lia livros, e quem sabe se também Pedro Bala, que nunca tivera inveja de nenhum porque era o chefe de todos?
Porque naquelas casas, se o acolhiam, se lhe davam comida e dormida, era como cumprindo uma obrigação fastidiosa. Os donos da casa evitavam se aproximar dele, e o deixavam na sua sujeira, nunca tinham uma palavra boa para ele.
Então os lábios de Sem-Pernas se descerraram e ele soluçou, chorou muito encostado ao peito de sua mãe. E enquanto a abraçava e se deixava beijar, soluçava porque a ia abandonar e, mais que isso, a ia roubar. E ela talvez nunca soubesse que o Sem-Pernas sentia que ia furtar a si próprio também. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente: