8 de mar de 2015

SARAH – JT Leroy.



JT Leroy é dono de uma habilidade e imaginação fora do comum. Sarah é um romance que retrata o quadro da prostituição atual de maneira real, mas consegue transformar a vulgaridade da prostituição em um mundo de beleza lírica e absurda.
Em uma época onde os meninos se vestiam de mulheres para se prostituir nas paradas dos caminhões, conhecemos nosso personagem principal.
Um garoto lindo, com seus cachos loiros que fazia inveja a muitos, filho de uma das prostitutas mais respeitadas das redondezas.
Sarah, sua mãe, o tratava de forma negligenciada. Mas sempre deixou claro que o amava, a sua maneira, mas o amava.
Ele sentia orgulho dela. Quando voltava para casa, e o abraçava.
E também quando batia em seu frágil corpo, era uma forma meio absurda que fazia sentir cada vez mais ligado a ela.
Mas tudo começou a mudar, quando seu corpo se transformou na adolescência, seu rosto angelical deixava todos apaixonados.


Todos os clientes de sua mãe, no meio da noite pulavam para sua cama e abusavam daquele garoto.
Não que ele se importasse nada disso. Ele adorava roubar os clientes de sua mãe. E decidiu que iria se prostituir, e ser tão famoso quando Sarah.
Foi então atrás de Glad, um dos cafetões mais respeitados da região.
Glad aceitou que ele fizesse parte de seu mundo, mas seria iniciado vagarosamente.
Primeiro teriam seus treinos, até se tornar uma prostituta de verdade.
Mas ele queria mais. Era ambicioso e ansiava por dar prazer àqueles caminhoneiros.
Ele queria o prêmio que Glad dava aos melhores, ele queria ser o melhor, queria ser melhor que sua mãe.
Buscou então ajuda a uma entidade mística da cidade. Fez um pacto e pediu fama.


Foi quando Leloup, um cafetão totalmente diferente de Glad, apareceu em sua vida.
Ele disse que seu nome era Sarah e que era sim uma prostituta. Sentiu tanta confiança em Leloup que foi junto para sua casa.
Seu terror então se iniciou.
Sarah foi abusada, drogado, mutilado.
Em todos os sentidos.
Sonhava com o dia em que sua mãe, a verdadeira Sarah, e Glad, viriam lhe buscar.
Mas ele não suportava mais a vida que levava.
Ele será resgatado?
Até quando aguentará todas as maldades de Leloup?
Um personagem tão improvável quanto engraçado, tão triste e trágico quanto patético, afunda então num reino delirante e perversamente idílico.
Um livro memorável e terrível, tão acolhedor quanto sofrido, tão belo e poético quanto apavorante, e sem dúvida surpreendentemente genial.
Casa de Livro Recomenda.


Levanto a mão mais para cima, o osso embrulhado em minha palma, e observo a luz dançar sobre as pontas de meus dedos.


Titulo: Sarah
Titulo Original: Sarah
Autor: JT Leroy
Ano: 200
Páginas: 155
Editora: Geração Editorial.

Boa Leitura.
Casa de Livro.

Karina Belo.



- Eu sei, já senti os movimentos dentro de mim algumas vezes – sussurro lembrando às vezes em que os namorados de Sarah se aproximavam de mim enquanto ela estava fora trabalhando. Depois de tropeçar em latas e garrafas vazias no quarto escuro, eles levantavam as cobertas e entravam em mim, me possuindo com estocadas silenciosas e invasivas.

 

Ouço-os gritarem por mim e me chamarem de todos os palavrões possíveis e imagináveis. As plantas carnívoras e urticárias machucam minhas pernas e tornozelos e os mosquitos me sugam como se eu fosse um refrigerante. Mas fico onde estou bem atrás de folhas imensas de repolho-gambá. Espio para ver a turba enfurecida com as tochas na mão.

 

Começo a cheirar cola e a beber uísque barato com a tenacidade de um rato encurralado. Para financiar meus novos hábitos faço todos os programas que posso e roubo o maior número possível de carteiras.


Minha recuperação demora mais de um mês. Fico no trailer de Glad e como as sopas especialmente preparadas por Bolly. Meu cabelo cresce a ponto de roçar minhas orelhas pela primeira vez em quase dois anos.
Pie e Sundae trazem livros e me distraem com as histórias de seus últimos programas.
Sempre que pergunto a elas sobre Sarah, mudam de assunto na hora.

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