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1 de nov. de 2021

0 melhores poemas de Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade.

Hoje completam-se 119 anos do nascimento de Carlos Drummond de Andrade. (31 de outubro de 1902 — 17 de agosto de 1987) Foi um dos maiores autores da literatura brasileira, sendo considerado o maior poeta nacional do século XX.

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Aprecie abaixo os 10 melhores poemas de Carlos Drummond de Andrade.

1- A Máquina do Mundo

Este poema tem conexão direta com Os Lusíadas, de Camões. O termo máquina do mundo aparece nos versos de Camões. A máquina do mundo é um termo usado para representar metaforicamente o sistema e como o mundo funciona. Lembra também A Divina Comédia, clássico da literatura mundial, onde Drummond faz uma jornada igual a de Dante — menos esoterismo e mais ceticismo, com um pé na realidade. Possuí versos decassílabos bem estruturados, extremamente clássico e não tão comum aos modernos, sustenta uma reflexão sobre o homem e a linguagem, principalmente, ao seu tempo, e o diálogo entre textos do poema, é o ponto alto de sua compreensão.

A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
 
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
 
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
 
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
 
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
 
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
 
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,
 
assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,
 
a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
“O que procuraste em ti ou fora de
 
teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,
 
olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,
 
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo
 
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste… vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”
 
As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge
 
distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
 
e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber
 
no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar
na estranha ordem geométrica de tudo,
 
e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que tantos
monumentos erguidos à verdade;
 
e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,
 
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
 
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
 
a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;
 
como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
 
que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,
 
passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
 
em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
 
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
 
A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
 
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mão pensas.

2- Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas


3 - Poema da Purificação

Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.
As águas ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.
Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.


4 - Poema de Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
 
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
 
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
 
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
 
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
 
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
 
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

5 - Tarde de Maio

Como esses primitivos que carregam por toda parte o
maxilar inferior de seus mortos,
assim te levo comigo, tarde de maio,
quando, ao rubor dos incêndios que consumiam a terra,
outra chama, não perceptível, tão mais devastadora,
surdamente lavrava sob meus traços cômicos,
e uma a uma, disjecta membra, deixava ainda palpitantes
e condenadas, no solo ardente, porções de minh’alma
nunca antes nem nunca mais aferidas em sua nobreza
sem fruto.
 
Mas os primitivos imploram à relíquia saúde e chuva,
colheita, fim do inimigo, não sei que portentos.
Eu nada te peço a ti, tarde de maio,
senão que continues, no tempo e fora dele, irreversível,
sinal de derrota que se vai consumindo a ponto de
converter-se em sinal de beleza no rosto de alguém
que, precisamente, volve o rosto e passa…
Outono é a estação em que ocorrem tais crises,
e em maio, tantas vezes, morremos.
 
Para renascer, eu sei, numa fictícia primavera,
já então espectrais sob o aveludado da casca,
trazendo na sombra a aderência das resinas fúnebres
com que nos ungiram, e nas vestes a poeira do carro
fúnebre, tarde de maio, em que desaparecemos,
sem que ninguém, o amor inclusive, pusesse reparo.
 
E os que o vissem não saberiam dizer: se era um préstito
lutuoso, arrastado, poeirento, ou um desfile carnavalesco.
Nem houve testemunha.
 
Nunca há testemunhas. Há desatentos. Curiosos, muitos.
Quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara?
Se morro de amor, todos o ignoram
e negam. O próprio amor se desconhece e maltrata.
O próprio amor se esconde, ao jeito dos bichos caçados;
não está certo de ser amor, há tanto lavou a memória
das impurezas de barro e folha em que repousava. E resta,
perdida no ar, por que melhor se conserve,
uma particular tristeza, a imprimir seu selo nas nuvens.

6 - Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


7 - Canção Final

Oh! se te amei, e quanto!
Mas não foi tanto assim.
Até os deuses claudicam
em nugas de aritmética.
Meço o passado com régua
de exagerar as distâncias.
Tudo tão triste, e o mais triste
é não ter tristeza alguma.
É não venerar os códigos
de acasalar e sofrer.
É viver tempo de sobra
sem que me sobre miragem.
Agora vou-me. Ou me vão?
Ou é vão ir ou não ir?
Oh! se te amei, e quanto,
quer dizer, nem tanto assim.


8 - Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

9 -Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili,
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


10 - No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

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Boa Leitura

Casa de Livro

Sidney Matias

24 de out. de 2021

Olhos d’Água de Conceição Evaristo é premiada na França

Tradução da escritora brasileira Conceição Evaristo é premiada na França.  

A tradução francesa do livro “Olhos d’Água”, da escritora Conceição Evaristo, publicado pela Editions des Femmes, foi homenageada com o Prêmio de Obra Poética da Academia Claudine de Tencin. A tradutora Izabella Borges fala sobre o desafio do projeto.


O livro “Olhos d’Água”, da escritora Conceição Evaristo, traduzido e publicada pela Editions des Femmes na França, ganhou homenagem com o Prêmio de Obra Poética da Academia Claudine de Tencin. 

A  tradução foi de Izabella Borges que falou ao portal Uol sobre o projeto:

“A escrita da Conceição Evaristo trabalha com diferentes registros de língua. Não foi fácil, não somente pelo vocabulário, mas também por essa troca de registros que ela pratica, muito rapidamente, principalmente em contos, que são condensados e com situações rápidas, que entram imediatamente em conflito com a leitura”, resume Izabella."

Izabella disse que essa tradução foi um grande desafio, devido a rapidez com a qual Conceição Evaristo constrói o cenário e os personagens que irá abordar.

“eu tive que passar isso para o francês de maneira rápida, sem perder o sentido e, ao mesmo tempo, guardando a carga poética da obra dela. A Conceição trabalha textos fortes, muitos deles violentos, sem nunca ser piegas. Não há um sentimentalismo exacerbado." Disse Izabella.

A tradutora Izabella disse que toda obra da Conceição merece muita atenção. É essencial que exista respeito no conteúdo da obra, migrar para o francês o que ela escreve sem perder a realidade, o sentimento e a poesia, disse a tradutora. Izabella, também estará assinando a versão francesa de “A Mulher que Matou os Peixes”, de Clarice Lispector, que será lançada em dezembro.  veja a matéria completa no >> uol <<

Quem é Conceição Evaristo?

Maria da Conceição Evaristo de Brito (Belo Horizonte, 29 de novembro de 1946) é uma linguista e escritora brasileira. Foi também pesquisadora-docente universitária.

É uma das mais influentes literatas do movimento pós-modernista no Brasil, escrevendo nos gêneros da poesia, romance, conto e ensaio. Como pesquisadora-docente, seus trabalhos focavam na literatura comparada.

Biografia

Conceição nasceu em 29 de novembro de 1946. Sua mãe, Joana Josefina Evaristo, a teve na Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Segundo relato da própria Conceição, trata como pai a Aníbal Vitorino, que se tornou seu padrasto ainda na infância. Viveu seus primeiros anos na favela do Pindura Saia, uma comunidade extinta na década de 1970, localizada da zona sul de Belo Horizonte. Sua família era muito pobre e numerosa, tendo nove irmãos, sendo a segunda mais velha.

Carreira acadêmica e profissional

Sua mãe a incentivou a estudar o primário e o ginásio em outra região da cidade, que tinha escolas mais prestigiadas, pois considerava que as escolas da região da favela eram menos favorecidas e limitariam o aprendizado dela. Mais tarde, saiu da favela para poder conciliar os estudos do curso normal enquanto trabalhava como empregada doméstica. Concluiu o curso normal em 1971, já aos 25 anos.

Mudou-se então para a cidade do Rio de Janeiro, em 1973, onde passou num concurso público para o magistério, permanecendo ligada aos quadros do município até o ano de 2006; neste ínterim, nas décadas de 1970 e 1980, também foi professora da rede municipal de Niterói.

Prestou vestibular em 1987 para o curso de letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conseguindo bolsa de pesquisas durante o período. Formou-se no ano de 1990. No seio da universidade, ainda na década de 1980, entrou em contato com o grupo Quilombhoje, que a incentivou a iniciar sua escrita. Estreou na literatura em 1990 com obras publicadas na série Cadernos Negros, publicada pela organização.

Entre 1992 e 1996 cursou mestrado em letras-literatura brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

A partir de 1999 licenciou-se da prefeitura do Rio de Janeiro e passou a lecionar na Universidade Federal Fluminense (UFF), mantendo este vínculo até o ano de 2011.

Em 2008 ingressou no doutorado em letras-literatura comparada da Universidade Federal Fluminense, concluindo os estudos em 2011.

Após seu doutoramento, serviu como professora em diversas instituições, tais como o Middlebury College, a PUC-Rio, a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Carreira como escritora

Suas obras, em especial o romance Ponciá Vicêncio, de 2003, abordam temas como a discriminação racial, de gênero e de classe. Seu primeiro romance, Ponciá Vicêncio foi foco de pesquisa acadêmica pela primeira vez, no Brasil, em 2007. A obra foi traduzida para o inglês e publicada nos Estados Unidos em 2007.

Em 2017, Conceição Evaristo foi tema da Ocupação do Itaú Cultural de São Paulo. Já em 2019, Conceição Evaristo foi a grande homenageada da Bienal do Livro de Contagem.

No dia 18 de junho de 2018, Conceição Evaristo oficializou sua candidatura à Academia Brasileira de Letras, entregando a carta de auto-apresentação para concorrer à cadeira de número 7, originalmente ocupada por Castro Alves. Segundo o Portal da Literatura Afro-Brasileira, a autora escreveu na carta: “Assinalo o meu desejo e minha disposição de diálogo e espero por essa oportunidade”. A eleição ocorreu em 30 de agosto, Conceição recebeu um voto, acabou eleito o cineasta Cacá Diegues. 

Obras

Romance

Ponciá Vicêncio (2003)

Becos da Memória (2006)

Poema

Poemas da recordação e outros movimentos (2017)

Contos

Insubmissas lágrimas de mulheres (2011; 2ª edição pela Editora Malê, 2016 )

Olhos d`água (Editora Pallas, 2014) .

Histórias de leves enganos e parecenças (Editora Malê, 2016)

Participações em antologias

Cadernos Negros (Quilombhoje, 1990)

Contos Afros (Quilombhoje)

Contos do mar sem fim (Editora Pallas)

Questão de Pele (Língua Geral)

Schwarze prosa (Alemanha, 1993)

Moving beyond boundaries: international dimension of black women’s writing (1995)

Women righting – Afro-brazilian Women’s Short Fiction (Inglaterra, 2005)

Finally Us: contemporary black brazilian women writers (1995)

Callaloo, vols. 18 e 30 (1995, 2008)

Fourteen female voices from Brazil (EUA, 2002), Estados Unidos

Chimurenga People (África do Sul, 2007)

Brasil-África

Je suis Rio, éditions Anacaona, juin 2016.

Obras publicadas no exterior

Ponciá Vicencio. Trad. Paloma Martinez-Cruz, Austin: Host Publications, 2007. ISBN 0-978-0-924047-34-3

L'histoire de Poncia, traduzido por Paula Anacaona, collection Terra, éditions Anacaona. 2015. ISBN 978-2-918799-75-7

Banzo, mémoires de la favela, traduzido por Paula Anacaona, collection Terra, éditions Anacaona. 2016. ISBN 978-2-918799-80-1


Boa Leitura

Casa de Livro

18 de jun. de 2015

FUI UMA BOA MENINA? – Carolina Munhóz.



Carolina Munhóz escreveu um conto puro e cheio de magia.
Uma garota atormentada pela culpa e pelo rancor. Que encontrou nas páginas de um diário a forma para descrever toda a sua mágoa.
Pertencente à família Claus era uma menina com sangue mágico, mas não era muito diferente dos humanos em geral.
Tinha as suas vontades, os seus medos, os seus desejos e sonhos.
Mas sentia uma falta absurda de seu pai.
Sr. Claus a amava, não tinha como negar, mas era um homem atarefado.
Mesmo o natal acontecendo em uma data específica, ele passa o ano todo realizando os preparativos.
Sua missão é levar alegria às crianças do mundo.
Porém estava deixando de lado a alegria de sua filha.
Sabe que ela se afastou de tudo e de todos por não se sentir amada, querida.


Como ele sonhava que ela pudesse sentir todo o amor que existe dentro de seu coração.
Ele tinha uma missão com o mundo, não tem como esquecer, mas entende que deveria pensar também em sua família.
Sua esposa sempre foi o pilar daquela casa.
Ah como ele amava a Sra. Claus.
Ela sempre conseguia demonstrar seus sentimentos.
Sempre conseguia acalmá-los.
Tentava a todo custo aproximar pai e filha.
A garota não entendia o porquê.
Já estava mais que provado que o Sr. Claus não iria perder tempo com ela, acho que nem se ela mandasse uma cartinha, como as outras crianças.
Mas uma tragédia vai abalar o mundo dessa família.
Algo inesperado, mas que irá juntar dois corações cheios de mágoas.
Qual será o desfecho dessa história?
A família Claus será feliz?
A filha terá o seu presente, a atenção do pai?
Será que ela foi uma boa menina?
Uma história emocionante que todos devem ler.
Casa de Livro Recomenda.

No fundo, eu sempre quis isso. Orgulhá-los. Só que da minha forma.

Titulo: Fui Uma Boa Menina?
Autora: Carolina Munhóz.
Páginas: 16
Ano: 2013
Editora: Rocco.

Boa Leitura.
Casa de Livro.


Karina Belo.


Lembro que ao dar meu primeiro passo fora do terreno daquele inferno gelado pude finalmente respirar com uma pessoa livre. Uma pessoa que poderia escolher a própria vida. Mas quando penso em sangue a imagem dela me vem à mente.