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6 de jun. de 2015

AS 10 LIVRARIAS MAIS INTERESSANTES DO MUNDO

Hoje a Casa de Livro veio com uma proposta diferente.
Não iremos publicar uma resenha, e sim uma curiosidade. Falaremos um pouquinho sobre as 10 livrarias mais interessantes, que temos espalhadas pelo mundo.


1 — El Ateneo, Buenos Aires

El Ateneo

María L. Fundes diz que foi “uma ideia genial converter um teatro dos anos 20, já fechado, em uma livraria de primeira. El Ateneo, de Buenos Aires, é uma das melhores livrarias da América. A seleção de livros é amplíssima. E o entorno [interno] é iniguilável. Permanecem o cenário e o palco. Tudo com novas funções [há um café-restaurante]. Uma maneira brilhante de desfrutar e recuperar edifícios antigos”. Em março desde ano, ao visitá-la, pude ver que Clarice Lispector é um dos destaques nas mesas.

2 — Galignani, Paris

Galignani

“Giovanni Antonio Galignani nasceu em 1757, no norte da Itália. Depois de um período em Londres, se instalou em Paris, onde criou uma pequena editora, abriu uma livraria e fundou um jornal. É a primeira livraria inglesa na Europa fora das ilhas britânicas. Foi instalada na Rua de Rivoli, onde abriu as portas com as melhores seleções de literatura anglo-americana e francesa, assim como uma seleção sem igual de livros de arte e moda”, diz o “ABC”.

3 — Selexyz Bookstore, Maastricht

Selexyz Bookstore

A livraria está instalada num edifício onde funcionou uma igreja de dominicanos. Além de bonita, até “impressionante”, é arejada e tem um café. É apontada como “espetacular”.


4 — Livraria da Vila, São Paulo

Livraria da Vila


O “ABC” nota que São Paulo é a “capital gastronômica e cultural do Brasil”. A repórter elogia a construção arquitetônica, do “genial arquiteto” Isay Weinfeld — as portas são estantes —, e diz que, além de bela, a Livraria da Vila oferece espaço para bate-papo, concertos e exposições.

5 — El Péndulo, México

El Pendulo


A livraria, diz o “ABC”, é um espaço amplo e relaxante no qual se pode, além de desfrutar das calorosas [e calorentas] tardes mexicanas, olhar livros, discos e vídeos. “Entre as numerosas livrarias, El Péndulo, situada no elegante bairro de Polanco, na capital azteca, tem o toque original de ter plantas em seu interior.” A livraria oferece concertos, cursos e tem um café-restaurante.



6 — Brentano’s, Paris

Brentanos


“A oferta cultural de Paris é ilimitada. Suas livrarias também. Mas a Brentano’s é diferente: trata-se de uma livraria com quase 120 anos e que oferece um repertório variadíssimo para o leitor multicultural, interessado em ler em vários idiomas”, diz o “ABC”. A livraria é especializada em obras norte-americanas, já que a cadeia de livrarias surgiu nos Estados Unidos. Está “situada na Avenida da Ópera, entre a Ópera Garnier, o Louvre e a Praça Vendôme”. Frequentar a livraria “é uma imersão na cultura universal”, sugere o jornal espanhol, apesar de sugerir a especialização americana.

7 — Rizzoli, Nova York

Rizzoli

Segundo o “ABC”, é “uma das livrarias mais simbólicas dos Estados Unidos. O espaço é acolhedor, as luzes tênue, o estilo é retrô e a seleção de livros, fantástica. É uma referência em pleno coração de Manhattan. Os livros de culinária são uma das especialidades desta livraria: o presente perfeito. A coleção completa da magnífica Editora Rizzoli está disponível, junto com uma extensa seleção de livros em italiano”, registra o jornal espanhol.


8 — Lello, Porto

Lello


“Lello e Irmão é a livraria mais espetacular de Portugal e uma das mais bonitas do mundo. Situada no centro antigo da cidade do Porto, foi fundada em 1869”, diz o “ABC”. Na sede atual, está desde 1909. A mudança foi feita pelos irmãos Lello, seus segundos proprietários. “A fachada é maravilhosa, mas o interior ainda é mais bonito.” Lá tudo é surpreendente. “No segundo piso são feitas exposições de arte e se pode desfrutar de um café.”


9 — Shakespeare & Co, Paris

Shakespeare  Co

A livraria é pequena mas é das mais charmosas de Paris — era frequentada por Hemingway, Scott Fitzgerald e James Joyce, que era amigo da proprietária (Sylvia Beach editou pela primeira vez o romance “Ulysses”, pai da literatura moderna). O “ABC” diz que a livraria tem um entorno “acolhedor para turistas e sonhadores”. É “situada em frente ao Sena e à catedral de Notre-Dame, está em pleno coração do bairro dos estudantes — o bairro latino. Como muitas das livrarias parisienses mais interessantes, foi fundada por estrangeiros e tem sido amiúde o centro de reunião de escritores de língua inglesa. Os livros proibidos na Inglaterra e nos Estados Unidos sempre estiveram disponíveis”.


10 — Corso Como 10, Milão


Corso Como 10


“Carla Sozzani, importante personalidade do mundo editorial do setor de revistas na Itália e irmã da poderosa Franca Sozzani, diretora da ‘Vogue Itália’, abriu a livraria em 1990. Nessa época, era uma galeria, dedicada principalmente à arte e à fotografia. Depois, ampliada, se tornou um espaço para o setor de moda, restaurante e livraria. São realizadas no local exposições, concertos e outras atividades culturais. Sua seleção de livros de moda e fotografia é espetacular”, registra o “ABC”.

4 de mar. de 2015

VOU TE CONTAR POR QUE ESTOU SOLTEIRA – Simone Lemos.



Mais uma parceria de sucesso com a Casa de Livro.
Simone Lemos, entrou em contato conosco, e nos honrou com um exemplar de sua obra.
Uma história encantada, divertida e emocionante.
Que mescla escolha, valores e conquistas.
“Vou Te Contar Por Que Estou Solteira”, nos apresenta Maitê. Uma mulher bem sucedida, com trinta anos de idade, e que está desesperada para ter um relacionamento amoroso.
Maitê é uma jornalista de renome. Trabalha como editora em uma das revistas mais famosas da cidade.
Mas sua vida amorosa é uma calamidade.
Com trinta anos de idade, ela vê suas amigas de infância se casando, tendo filhos e ela continua sem nem ao menos um namorado.
Na verdade ela tem um alvo, é completamente apaixonada pelo Leo, seu colega de trabalho.
Após algumas mensagens trocadas, finalmente ela conseguiu que ele a chamasse para sair.
Não foi como ela sempre sonhos, após muito esperar pelo seu “príncipe Leo”, ele chegou tarde da noite, cheirando a bebida e a levou diretamente para um motel.
Mesmo chateada com a situação, conseguiu ver algo bom em toda aquela situação. Achou que finalmente engataria um namoro com o rapaz que sempre amou.
Nada foi como o planejado.


Leo não a procurava, e quando fazia... Era apenas para satisfazer a si mesmo.
Suas amigas o abominavam, estava na cara que o homem não prestava. Maitê deveria mudar seus pensamentos, deveria se livrar daquele homem.
Mas era irredutível em suas decisões de conquistas.
Comprou milhares de livros de autoajuda, que poderia ajudá-la a conquistar o homem amado.
Matriculou-se em cursos para ser a mulher mais interessante e inteligente que poderia passar pela vida dele.
Mas as dicas do livro de nada adiantarão.
Maitê descobriu que ele tinha diversos casos e ainda tinha uma namorada oficial.
Nada do que ela fizesse iria tirar o Leo da vida de infidelidades.
Após muito sofrer, chorar e pensar. Viu que o melhor para ela seria manter apenas uma amizade.
Amava aquele homem, e sabia que nunca iria conseguir tirá-lo de seu coração.
Mas valia a pena sofrer por um amor não correspondido?
Maitê não se entregava tanto em sua vida profissional, e tudo estava dando certo nessa área.
Seria possível que se ela focasse mesmo em sua vida amorosa as coisas dariam certo também?
Deixou de ter o Leo como seu objetivo.
Passou a conhecer outros rapazes, nos cursos em que frequentava.


Mas estava fazendo as coisas corretamente?
Estava conhecendo-os, para começar um relacionamento.
Ou apenas seduzindo-os?
Quando finalmente consegue mudar suas atitudes.
As coisas mudam completamente.
Leo precisa esclarecer algumas coisas.
Ela ainda precisa dizer que o ama.
Mas existem outras pessoas envolvidas.
Maitê conseguirá ser feliz?
Uma história cheia de surpresas.
Com um romance leve e divertido.
Personagens carismáticos que o deixarão com ainda mais vontade de ler.
Parabéns Simone Lemos, pela maravilhosa história.
Casa de Livro Recomenda.

 

O que acontece quando uma mulher que chegou solteira aos trinta anos resolve que precisa se casar?


Titulo: Vou Te Contar Por Que Estou Solteira.
Autora: Simone Lemos
Ano: 2015
Páginas: 221
Editora: Chiado

Boa Leitura.
Casa de Livro.

Karina Belo.


Cá pra nós, você sabe o que uma festa da Hoje Notícias significa para mim, certo? Isso mesmo. Uma grande ocasião para estar deslumbrante, usar todas as táticas do meu livro de conquistas e finalmente fazer o Leo se apaixonar perdidamente por mim. O plano todo provavelmente acabaria envolvendo semanas de malhação intensa, combinadas com a leitura quase ininterrupta do meu livro e uma dolorosa sessão de depilação total. Não que eu fosse contar a alguém sobre a depilação. Ou sobre o livro, obviamente.


De repente, o fato de que meu pai e minha mãe estavam separados parecia secundário, e tudo o que eu queria era que meu mousse de chocolate chegasse logo para que eu pudesse encerrar o jantar e responder à mensagem do Leo.

 

Quase duas horas depois estou dirigindo de volta para casa, feliz da vida e me sentindo, como nunca, cheia de energia para ir atrás de qualquer sonho ou plano que eu ousasse fazer. Eu havia prometido que iria ser muito feliz no amor, não havia? Muito bem. Eu começaria a cuidar daquilo naquela noite mesmo.

 

A progressão do relacionamento havia sido tão natural que não havia tido um pedido oficial para marcar o início da relação. Acabamos “oficializando” num dia em que ele havia se referido naturalmente a mim como sua namorada, e então eu havia perguntado brincando:
- Ah, agora você acha que pode ir me chamando assim?
Ao que ele respondeu genuinamente preocupado:
- Por quê? Não posso?
Mas é claro que podia.

7 de dez. de 2014

10 LIVROS QUE VÃO MUDAR SUA VIDA

A ideia de que um livro pode mudar a vida de alguém é altamente controversa. Há quem acredite; há quem discorde. O fato é que, caso a leitura de uma obra possa mesmo ser capaz de mudar a vida do leitor, isso depende em grande medida do conjunto de referências culturais e experiências vitais experimentadas por aquele que lê. Mas iremos falar um pouco, sobre os dez livros considerados "transformadores".


A Condição Humana, de Hannah Arendt.

A Condição Humana — Hannah Arendt


No seu livro mais famoso, “Origens do Totalitarismo”, Hannah Arendt buscou contextualizar historicamente o que chamou de “tentativa totalitária da conquista global e do domínio total” no século 20. Sua análise atravessa conceitos como antissemitismo, imperialismo e totalitarismo, para concluir que a dignidade humana só pode ser garantida por meio de novos princípios políticos — aquilo que designou de “um novo começo”.
Para a exposição dos fundamentos filosóficos desse “novo começo”, Arendt escreveu “A Condição Humana”. Trata-se de obra bem menos conhecida do público em geral, não obstante seja talvez o seu trabalho de maior fôlego filosófico. Nesse livro, a pensadora alemã defende o conceito de “vita activa”, entrelaçando o que considera as três atividades humanas fundamentais (labor, trabalho e ação) com as condições mais gerais da existência humana (nascimento e a morte, a natalidade e a mortalidade). O maior mérito intelectual da obra é, todavia, discernir com notável lucidez os conceitos de esfera pública e esfera privada. Eis um tema de suma relevância para a vida do leitor, já que viver é um ato político — produto de uma decisão política, ainda que inconsciente. Assim, ter a consciência de que a ação no espaço público traz implicações e responsabilidades distintas daquelas empreendidas no espaço privado é fundamental para o desenvolvimento de uma nova visão da política e da vida como bem supremo da condição humana.

História Universal da Música, de Roland de Candé.

História Universal da Música — Roland de Candé

De todas as formas de manifestação artística, a música é indubitavelmente a mais popular. Enquanto, por exemplo, a leitura de um livro exige um ritual mínimo de preparação (o ambiente silencioso é essencial no meu caso), para ouvir uma peça musical não é preciso sequer a intenção. Não são poucos os casos de ouvintes que descobrem a obra de um artista por acaso, ouvindo-a no rádio, como trilha sonora de filme, ou no som do carro do colega de trabalho que lhe deu uma carona. Isso não é ruim, é claro, pois a música é fonte de felicidade — e cabe à arte nos tornar humanos. O problema é que, diante dessa popularidade, a compreensão da música, enquanto fazer artístico, começa a desaparecer. Para piorar, a indústria fonográfica trabalha na lógica da picaretagem, fabricando “ídolos” que têm menos sensibilidade musical que um sapo ou uma cigarra.
“História Universal da Música” é uma leitura obrigatória para todo aquele que deseje passar da condição de reles “tocador de instrumento” à condição de músico, ou do estágio de “escutador ocasional” ao do ouvinte qualificado, apto a apreciar a arte musical em um nível profundo.

Truffaut/Hitchcok: Entrevistas.

Truffaut-Hitchcok - Entrevistas

O livro pode ser capaz de “mudar” a vida do leitor por uma razão muito simples: ele revela que o cinema requer, por parte do artista, um domínio do seu ofício que é tão técnico e cerebral quanto o do compositor de uma sinfonia. As entrevistas denotam que o fazer cinematográfico, entendido enquanto proposta de arte, representa tarefa de difícil domínio, que ultrapassa em vastos o mero ajuntamento de imagens ou a montagem de efeitos especiais. É um livro que mostra ainda que, por trás das câmeras, existem intelectuais formidáveis, donos de um cabedal amplo de referências culturais que, pensadas e refletidas à exaustão, sustentam uma arte de difícil condução, a evitar que o diretor perca o controle do seu filme e fracasse em sua proposta.

Walden, de H. D. Thoreau.

Walden, de H. D. Thoreau

“Walden” é um livro que se pode desvendar pelo subtítulo que o autor lhe deu: “A vida nos bosques”. Registrar as experiências de uma vida em comunhão com a natureza, como um bicho do mato, era a proposta revolucionária do pensador estadunidense Henry David Thoreau quando se mudou para uma pequena cabana, que ele próprio construiu, próxima ao lago Walden. Ali viveria mais de dois anos isolado, de maneira a expressar sua crítica à sociedade do século 19, marcada pelo desenvolvimento industrial e o crescimento da vida urbana. “Walden”, que hoje é considerado obra clássica do pensamento transcendental, é no fundo o testemunho de um misantropo radical, o testamento de um homem solitário, dotado de um intelecto superior e incompreendido. Thoreau, considerado um lunático pelos seus contemporâneos, alguém que quase ninguém levava a sério, foi o intelectual visionário que conseguiu perceber, com pelo menos um século de antecedência, a importância da preservação ambiental, antitética ao consumismo.


Oblómov, de Ivan Gontcharov.

Oblómov, de Gontcharov

Diferentemente de Gregor Samsa, que desperta metamorfoseado num inseto na conhecida novela de Franz Kafka, Iliá Ilitch Oblómov acorda todos os dias, pela manhã, sem nenhuma alteração. Ele passa o dia de roupão, deitado na cama do seu quarto ou sentado no sofá. Apesar de jovem (ele tem apenas 32 anos) e de aspecto simpático, Oblómov é descrito como alguém de rosto privado de qualquer ideia definida e sem nenhum traço de concentração. Sua rotina é sua indolência, que ele crava em todos os planos que arquiteta. É um homem de projetos que nunca leva a cabo, derrotado diariamente pela sua preguiça invencível.
Eis a síntese do romance escrito pelo funcionário público Ivan Gontcharóv, contemporâneo menos conhecido da geração de Gógol. “Oblómov” é uma caricatura divertidíssima da aristocracia feudal russa, mas cujo exemplo se encaixa como uma luva aos “reis e rainhas do camarote” modernos, que adoram exibir a sua riqueza em capas de revista e programas de TV, em que pese levarem uma vida intelectualmente parasitária e, o mais das vezes, completamente fútil.


A Morte de Ivan Ilicht, de Liev Tolstói.

A Morte de Ivan Ilicht, de Liev Tolstoi

Na novela de Tolstói, o moribundo Ivan Ilitch, antevendo a morte, reflete profundamente sobre sua vida. A angústia leva-o a perceber o quão infeliz foi sua trajetória, marcada pela obsessão com as aparências, com a busca incessante de cargos de prestígio, em jogos de interesse e poder que não serviam senão para alimentar seu ego inflado de juiz austero e bem sucedido. Perto do fim, sem chance de convalescença, o leito de morte leva-o a perceber que todo seu empenho havia sido em vão, que tudo aquilo pelo que ele lutara (uma vida de aparências, de prestígio social invejável, do temor reverencial dado ao juiz que desempenha rigidamente seu papel de “boca da lei”) o havia abandonado. Ilitch se vê sozinho diante da morte, inseguro até mesmo quanto à sinceridade do amor de sua esposa e filhos.
“A Morte de Ivan Ilitch” é uma novela curta, que em poucas páginas põe o “dedo na ferida” dos homens que fazem da carreira no serviço público um trampolim para a satisfação egoica, dispostos a tudo pelo poder. É uma história pungente e genial. Mas, acima de tudo, é um relato assustador, sobretudo para quem sabe que a cúpula do serviço público brasileiro, em qualquer dos seus Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), é pródiga em exemplos de “Ivan Ilitch” — infelizmente sem o mesmo escrúpulo.


Demian, de Herman Hesse.

Demian, de Herman Hesse

No livro, o leitor acompanha a trajetória do garoto Emil Sinclair, que narra como a amizade com um jovem misterioso (Max Demian) influenciou-o decisivamente em suas reflexões libertárias sobre a religião, a moral, a sociedade, o Estado, o amor. É um romance de caráter profundamente filosófico. O capítulo em que Sinclair fala sobre como o “culto a Beatrice” (a paixão platônica do protagonista) ajudou-o a enfrentar a solidão possui algumas das passagens mais sensíveis já escritas em toda a história da literatura mundial.
“Demian” é um daqueles livros que todos deveriam ler antes de morrer, em face de seu potencial transformador da alma humana. Um livro indispensável, que deve ser lido ao som da “Passacaglia em Ré Menor”, de Dietrich Buxtehude, porque “quem quiser nascer tem que destruir um mundo”.

Ser e Tempo, de Martin Heidegger.

Ser e Tempo, de Martin Heidegger

Publicado em 1927, “Ser e Tempo” representa o projeto ousado de uma das mentes mais prodigiosas que a humanidade já conheceu. Nessa obra (inacabada, por sinal), o filósofo alemão Martin Heidegger propõe-se a discutir o problema do ser no mundo a partir do método fenomenológico de Edmund Husserl. Como o homem é o ser que se apresenta imediatamente à consciência, desprovido das pressuposições da metafísica, Heidegger investigará o ser por meio da existência humana (o ser do, no e com o mundo). Depurando-a, seu objetivo é estabelecer a medida da existencialidade do indivíduo, no que avultam os conceitos de existência inautêntica e existência autêntica — esta última nucleada em torno de sua noção de angústia.
Definitivamente, “Ser e Tempo” não é uma leitura fácil. Só a sinopse da obra já demonstra que o leitor precisa dispor dum arcabouço teórico-filosófico mínimo, a fim de contextualizar o problema sobre o qual o filósofo se debruça. A linguagem heideggeriana, oriunda da ontologia, tampouco é simples. Pelo contrário, os termos que emprega são extremamente complexos — alguns dos quais verdadeiramente intraduzíveis, motivo pelo qual a compreensão profunda dessa obra requer do leitor um mínimo de conhecimento a respeito da liberdade sintática proporcionada pela língua alemã.

Crítica da Razão Cínica, de Peter Sloterdijk.

Crítica da Razão Cínica, de Peter Sloterdijk

Sloterdijk, tornou-se um fenômeno de vendas na Alemanha quando sua “Crítica da Razão Cínica” foi publicada em 1983. O livro, cujo título de per si já denuncia a inspiração na “Crítica da Razão Pura” de Kant, é polemista do início ao fim. Já no prefácio, o filósofo alemão anuncia: “Há um século a filosofia está morrendo”. Mas reduzir essa obra magnânima ao seu caráter polêmico é franca injustiça (polemizar por polemizar é a coisa mais fácil do mundo). Sloterdijk é, na verdade, um pensador contundente, que tem o mérito de discutir nessa obra capital do pensamento filosófico contemporâneo um dos temas mais caros da sociedade capitalista em que vivemos: a indiferença. Em dado momento, o filósofo reflete: “Na indiferença em relação a todos os problemas reside o derradeiro pressentimento de como seria estar à altura deles. Como tudo se tornou problemático, tudo se mostra por toda a parte como indiferente. É preciso seguir esse rastro. Ele conduz para onde se pode falar de cinismo e de ‘razão cínica’”.
Advirto o leitor para que não se assuste com o tamanho do livro. Sloterdijk não sofre do mau vezo de certos filósofos, que adoram escrever numa linguagem cifrada, valendo-se duma prosa ininteligível (algumas vezes isso até se justifica pela dimensão técnica da obra, mas, na maioria dos casos, é puro pedantismo de quem se serve da Filosofia como pretexto para disfarçar o fato de que escreve mal). Assim, a leitura das mais de 700 páginas da “Crítica da Razão Cínica” é experiência das mais agradáveis.

Cenas da Vida Amazônica, de  José Veríssimo.

Cenas da Vida Amazônica, de  José Veríssimo

Há algum tempo uma grande editora do País convidou escritores brasileiros para que fizessem uma espécie de “residência” em algumas cidades e, a partir dessa experiência, produzissem ficção. Naturalmente, as cidades escolhidas foram lugares como Praga, Buenos Aires, Sidney, Dublin, etc. O resultado foram livros — alguns bons, outros ruins — que retrataram o amor na perspectiva multicultural da classe média que viaja pelo mundo. O amor que é “chique”.
Penso que bem mais interessante teria sido — inclusive do ponto de vista do desafio da criação literária — se esses mesmos escritores tivessem sido convidados a fazer sua “residência” em cidades do interior mais remoto do Brasil. Que histórias de amor se escondem nos rincões deste país imenso e maravilhoso que é o Brasil? Com que peculiaridades o amor se apresenta nas cidades da Amazônia, do Pantanal, do Cerrado?
Apesar disso, faço gosto em exercer o papel de “advogado do diabo” e recomendar ao leitor o conjunto de contos apresentados em “Cenas da Vida Amazônica”, de José Veríssimo. O escritor, que nasceu em Óbidos, interior do Pará, foi um dos principais intelectuais do seu tempo, desenvolvendo intensa atividade no campo das letras, ora como crítico literário, ora como ensaísta, ora como ficcionista, ora como pioneiro historiador da Literatura brasileira.

10 de out. de 2014

A VIDA - (Encontros & Desencontros) - Rosana Prieto.



Rosana Prieto, parceira do Blog Casa de Livro, mais uma vez nos encanta com um conto de arrepiar.
No livro “Encontros & Desencontros” a autora colocou uma seleção de pequenas histórias, por ela escrita, com profundo sentimento e magia.
O conto que iremos comentar agora “A Vida” é tão emocionante quanto os outros, porém de uma forma distinta.
Dessa vez o personagem principal, o que nos faz refletir e questionar nossas atitudes, é um livro.
Livro que irá mostrar o que ele sente, como se fossemos nós, vivendo uma vida cheia de desafios.
Em um momento de desgosto, paramos de enfrentar nosso dia a dia com um sorriso no rosto.
Exatamente isso que aconteceu com nosso personagem, o livro.
Após ser abandonado pela sua amiga, à única que estava ali ao seu lado em todos os momentos. Que o folheava sempre que sentia vontade ou necessidade.
A partir dessa desilusão, ele passou a vida sem realmente vivê-la. Nada mais importavam, as pessoas que estavam perto não tinham importância.
A autora Rosana Prieto conseguiu nos mostrar a quantidade de momentos e oportunidades que deixamos passar, por conta de uma dor, um rancor.
Quantas pessoas entraram na sua vida, tentaram fazer parte e você não deu espaço?
No conto nos foi passado o que é realmente a vida.
Momentos acontecem se vão.
Pessoas aparecem e logo em seguida deixam de fazer parte de nosso dia a dia.
Mas a escolha de aproveitar é nossa.
Casa de Livro Recomenda.


Titulo: A Vida - Encontros & Desencontros
Autora: Rosana Prieto
Páginas: 21 até 23
Ano: 2014
Editora: All Print.

Boa Leitura
Casa de Livro

Karina Belo




Como disse antes, não sei contar o tempo. Somente vi uma grande quantidade de vezes a porta abrir e fechar.

28 de abr. de 2014

BALTAZAR - (O Espelho da Intenção) – Agueda Faon


Mais uma vez Agueda Faon consegue nos surpreender com sua história. Um livro dividido em contos, onde a autora nos apresenta aos poucos sua história, seus personagens, e seu talento.
No conto de hoje, fomos apresentados a Baltazar, um mago que usa sua magia para o mal.
Conforme estamos acompanhando, a história nos é contada através de Victor. Um garoto que foi trocado na maternidade, morando em um orfanato ele passa a ter contato com um livro misterioso que conta sobre sua vida.
Assim como Victor, ficamos a par dos acontecimentos, que levou o garoto a viver no nosso mundo, a Terra, em um orfanato, sem seus pais, sem sua família.


Victor conhece um pouco mais sobre si mesmo, sua identidade, a cada página lida. Ele descobre como seus pais se apaixonaram como se desenrolou tal romance.
E descobre que Baltazar deseja acabar com seu pai Leonardo, e ameaça Daiana, sua mãe, a tirar o que ela tem de mais importante.
Baltazar chantageia Daiana, ela precisa terminar com Leonardo, nunca mais vê-lo.
Quais são os motivos para tamanha crueldade?
Quais as verdadeiras intenções de Baltazar?
Será ele o Mago que vem petrificando as pessoas, no mundo de Leonardo Bason?
Respostas que encontramos junto com Victor, e descobertas que podem mudar o rumo dos acontecimentos, da história.
Será que Victor está recebendo um sinal?
Ele poderá ser o grande salvador?
Qual é a guerra esperada?
O Espelho da Intenção, um livro que nos choca, emociona e cativa do começo ao fim.
Casa de Livro Recomenda.


Titulo: Baltazar - O Espelho da Intenção
 Autora: Agueda Faon
Ano: 2013
Páginas: 290
Editora: Protexto

Boa Leitura
Casa de Livro

Karina Belo



- É tudo muito simples, senhorita Salles! Você faz a escolha certa e a família feliz desta foto continuará por muito tempo unido. Se fizer uma escolha errada, no entanto, não terá nem mesmo essa foto para se lembrar da sua família feliz! - e, assim que terminou de falar, ao tocar com o dedo indicador no porta retrato, o pai e a mãe de Daiana desapareceram da foto.

21 de fev. de 2014

AS VANTAGENS DE SER INVISÍVEL – Stephen Chbosky.


Sem dúvidas é um dos livros mais emocionantes que tive a honra de ler. Quando comecei a leitura de "As Vantagens de ser Invisível", não imaginava que a história iria me surpreender de tal forma.
A obra é composta por cartas, inteiramente cartas, que o personagem Charlie escreve para um amigo invisível.
Quais as vantagens de ser invisível?
Charlie é um garoto incrivelmente doce e inteligente. Sinceramente, é impossível não se apaixonar por ele. A vontade de entendê-lo e ajudá-lo é tanta, que é possível terminar o livro no mesmo dia, sem perceber. E assim que viramos a última página, a saudade é instantânea.
Charlie sempre foi um garoto solitário. Sua família é incrível e lhe dá todo o suporte necessário. Seus irmãos são companheiros e o ajuda em qualquer necessidade ou ocasião. Seus pais se tornaram fãs incondicionais de seu jeitinho doce e ingênuo. 
Mas há algum tempo, a vida de Charlie transformou-se em um pesadelo.
Tia Helen, irmã de sua mãe, foi morar durante um tempo na casa deles. Charlie era apaixonado pela tia, adorava todos os momentos em que passavam juntos, adorava suas histórias, suas risadas, suas brincadeiras. Porém quando o garoto completava sete anos de idade, Tia Helen saiu para comprar um presente e nunca mais voltou. Uma tragédia se abateu sobre aquela família, uma morte que deixou feridas eternas.
No momento em que soube da morte de sua tia, Charlie foi parar em um hospital. Lá ficou internado por um período e nunca mais voltou a ser a criança que era.
Agora com seus quinze anos de idade, Charlie precisa enfrentar suas perturbações mentais. Precisa enfrentar a sociedade, e tentar ser aceito em algum circulo de amizade. Precisa enfrentar seus medos, e mostrar seus segredos. Precisa aguentar a dor de presenciar o suicídio de seu melhor e único amigo Michael.

Nas cartas escritas para seu amigo invisível, Charlie relata todos os seus acontecimentos do dia.
Ele conta que fez amigos especiais, Sam e Patrick. Dois irmãos que serão sinceros, verdadeiros companheiros do garoto “problemático da escola!” não terão vergonha de sua amizade, não ficam zombando dele, e adoram passar os momentos ao seu lado.
Porém Charlie vai se apaixonando gradativamente por Sam, mas todos os seus temores do passado vem à tona.
Ele não sabe o que fazer, ele não sabe como agir.
Ele precisa de ajuda. 
Completamente fascinado por livros, Charlie vê nas paginas seu ponto de apoio, o refúgio para todos os problemas.
Bill, seu professor. Reconhece todo o talento do garoto e o incentiva na leitura e na escrita. Bill sabe que tem algo errado com Charlie, e que ele precisa de ajuda.
Charlie sente-se perdido, novamente vai parar em um hospital. Toda a verdade vem à tona.
Qual o segredo que esse garoto guardou por todos esses anos?
Pra quem ele envia todas as cartas?
O que tanto atormenta Charlie? 
Qual a culpa que ele carrega dentro de si?
Uma história incrivelmente bela. Uma obra única. Que nos emociona do começo ao fim.
Quem é o verdadeiro Charlie?
Ele um dia será feliz?  

Casa de Livro Recomenda.



Somos infinitos...


Titulo: As Vantagens de ser Invisível.
Titulo Original: The Perks of Being a Wallflower
Autor: Stephen Chbosky
Páginas: 223
Ano: 2007
Editora: Rocco

Boa Leitura
Casa de Livro.



Karina Belo.
  



Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.




Eu sei que tem pessoas que dizem que essas coisas não acontecem, e que isso serão apenas histórias um dia. Mas agora nós estamos vivos. E nesse momento, eu juro. Nós somos infinitos.




É como se ele tirasse uma foto da Sam e a foto saísse linda. E ele pensasse que o motivo para a foto sair bonita fosse ele fotografar bem. Se eu fizesse a foto, saberia que o único motivo da beleza é a própria Sam. Eu acho que é ruim quando um cara olha para uma garota e pensa que a forma como ele a vê é melhor do que a garota realmente é. E acho ruim quando a forma mais sincera de um cara olhar uma garota é através de uma câmera.




Acho que o que estou dizendo é que tudo isso parece muito familiar. Mas eu não estou familiarizado com isso. Só sei que outro garoto sentiu a mesma coisa. Dessa vez, quando está tranquilo do lado de fora e você vê coisas se mexendo, e não quer isso, e todos estão dormindo. E todos os livros que você leu foram lidos por outras pessoas. E todas as canções que você gostou foram ouvidas por outras pessoas. E aquela garota que é bonita para você é bonita para outras pessoas. E você sabe que, se enxergasse esses fatos quando era feliz, se sentiria ótimo, porque estaria descrevendo a "união".